Tempo de Amar

    Se pudermos imaginar o tempo, como uma enorme ampulheta, perceberíamos que o ano dois mil, representado pela areia contida no reservatório superior, escorre rapidamente para o passado. Entretanto os problemas do mundo continuam, porque não é possível resolvê-los sem que hajam mudanças estruturais no interior do homem.
    Todos ansiamos pela paz e nos portamos agressivamente. Gandhi, a grande alma da Índia, disse certa vez às autoridades que o interrogavam na prisão, que o homem pacífico deverá ter uma profunda em Deus, porque sem amá-lo intensamente, não estará pronto para morrer sem raiva, sem medo e sem retaliação. Essa coragem provém da convicção de que Deus habita nos corações de todos nós, e de não haver medo na presença dele.
    Embora a paz seja um desejo intenso no íntimo da maioria da humanidade, as nações poderosas gastam milhares de dólares por minuto, em armamentos cada vez mais sofisticados e mais eficientes para matar. Infelizmente não são apenas os países ricos, porque em muitos outros, onde a fome é endêmica, também gastam fortunas em armas e munições.
    A violência toma conta das cidades, e a vida passa a não valer quase nada. Drogas, prostituição, corrupção política e administrativa campeiam à solta, levando ao desencanto os cidadãos comuns.
    Contudo não queremos fazer desse artigo um desabafo da tristeza ou do medo, e sim, uma exaltação à vida. Queremos despertar a chama do amor que mora em nosso peito, cortando todo e qualquer desânimo ou negatividade.
    É preciso amar, pois somente o amor pela humanidade poderá iluminar o mundo. Mesmo que tudo à nossa volta esteja escuro, não nos esqueçamos que é a escuridão da noite que propicia a oportunidade de enxergarmos as estrelas.
    Se abordamos esse assunto num jornal espírita, é porque consideramos que o espírita'>centro espírita deve ser uma escola de cidadania. Não podemos adotar a idéia de que cada povo tem o governo que merece, nem que tudo está relacionado à lei de causa e efeito, porque muita coisa pode e deve ser corrigida agora.
    O Espiritismo veio motivar uma revolução educacional com base no amor. Saber que somos imortais e destinados à perfeição, e que a alcançaremos através das reencarnações, é toda uma revolução conceptual. Usamos a palavra saber, porque é muito diferente de crer. Quem sabe não precisa crer, nem ter esperanças, porque tem a certeza.
    Logicamente, quando falamos em revolução, nem de leve pensamos em revolução armada, e sim em transformação pelo amor.
    O Espiritismo é muito mais do que uma crença. É um ideal de vida. Uma vivência superior. É muito mais do que troca de favores, ou oferta de salvação, é proposta de iluminação. A proposta espírita é de trabalho, luta interior para a renovação do homem.


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