Tipos de Solo

    Mateus, 13:1-9 / Marcos 4:1-9 / Lucas 8:4-8

    E o semeador saiu a semear.
    Uma parte das sementes caiu à beira do caminho, e vieram as aves do céu e as comeram, e outras foram pisadas pelos homens.
    Outras caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra nem umidade. Logo as sementes germinaram porque a terra não era profunda, mas ao surgir o sol, queimaram-se e, porque não tinham raiz, secaram.
    Outras caíram entre os espinhos; e os espinhos cresceram e as sufocaram, e não deram fruto algum.
    Outras, finalmente, caíram em terra boa, rtil e, brotando, cresceram e produziram frutos. Algumas produziram trinta, outras sessenta e outras cem por um.

    Temos aqui a famosa Parábola do Semeador, a primeira contada por Jesus, dentre dezenas. É uma das mais populares, com um detalhe: o Mestre a explicou aos discípulos.

    A semente é a “Palavra de Deus”, representada por seus ensinamentos.

    O que Deus espera de nós?

    Segundo Jesus, que nos amemos uns aos outros; que façamos ao próximo todo o bem que desejaríamos; que estejamos dispostos ao sacrifício dos interesses pessoais em favor do bem comum.

    O solo onde caem as sementes divinas é o coração humano.

    Há a turma da “beira”.

    É o pessoal do lado de fora, alheio à palavra.

    Seus representantes comparecem ao Centro Espírita motivados por variados problemas, de ordem física e emocional.

    Procuram o hospital.

    Sua intenção é meramente receber benefícios. Escasso interesse quanto às palestras e orientações.

    A atenção fica difícil, vêm os bocejos; as pálpebras pesam; cerram-se se os olhos e o sono triunfa.

    Há quem fale em influência espiritual. Espíritos que não querem seu aprendizado. Boa explicação, mas é difícil imaginá-los ao nosso lado, exercitando suas artes. E onde fica a proteção dos benfeitores espirituais, vedando seu acesso ao recinto da reunião?

    Estariam a vibrar do lado de fora?

    Complicado imaginá-los concentrados, alhures, a sintonizar com suas vítimas, sugerindo-lhes dormir sentadas.

    E as barreiras vibratórias de proteção, não funcionam?

    Ouvi um dorminhoco justificar:

    – Fecho os olhos para concentrar-me melhor.

    Se é assim, por que a cabeça vai se inclinando lentamente, e só não cai porque está fixada no pescoço?

    As igrejas tradicionais resolvem esse problema com o senta-levanta do culto, em momentos específicos, envolvendo rezas. Impossível dormir.

    No culto evangélico há os hinos. Quando o pastor percebe que os fieis estão se entregando aos braços de Morfeu, logo os convida à cantoria. Soltar a voz é uma boa maneira de afugentar o sono.

    Não obstante, por mais sofisticados sejam os recursos para mantê-los atentos, o aproveitamento dos nossos irmãos da “beira” será sempre precário, principalmente em relação à Doutrina Espírita, apelo à razão, que exige atenção e disposição para assimilar seus conceitos renovadores.

    Há a turma das “pedras”.

    Ouvem a palavra e a recebem com alegria.

    Assimilam algo, mas não estão dispostos a enfrentar os dissabores da adesão.

    O sol abrasador dos preconceitos e das discriminações torra facilmente as frágeis raízes de sua .

    Acontecia com o Espiritismo no passado.

    Falava-se que os espíritas eram adoradores do demo. As pessoas recusavam-se a passar em frente ao Centro.

    Na própria família havia problemas. Raros resistiam.

    Ainda hoje, temos simpatizantes que não se integram para não criar problemas com o cônjuge, renunciando a um dos dons mais preciosos da existência – a liberdade de consciência, o direito de exercitar nossos ideais e convicções.

    Conheço senhoras que não freqüentam o Centro, embora amem a Doutrina Espírita, para não contrariar o marido.

    E o que dá ao marido o direito de decidir quanto à crença da cara-metade? Como pode funcionar bem um casamento em que um dos cônjuges interfere nas convicções religiosas do outro?

    Frágeis as sementes de nossa , quando permitimos que isso aconteça.

    Há a turma dos “espinhos”.

    Aceitam a palavra, mas as seduções do mundo a sufocam.

    Com a ampla visão das realidades espirituais que a Doutrina Espírita nos oferece, ficam encantados, mas…

    Conversei, certa feita, com um simpatizante:

    – O Espiritismo é bênção de Deus. Amo seus princípios, a ação espírita no campo social, o exercício da caridade. Gostaria de participar, mas não me sinto preparado. Sou fumante inveterado e abuso dos aperitivos.

    Como comerciante, nem sempre me comporto com lisura e reconheço ter gênio difícil.

    O Espiritismo deitou boas raízes nele, mas as fraquezas, espinhos danosos que não quer eliminar, falam mais alto.

    Outro dizia.

    – Reconheço-me despreparado para a Doutrina, mas não me preocupo. Temos a eternidade pela frente.

    Realmente, temos todo o tempo do mundo, para atingir a perfeição, mas as pessoas esquecem uma recomendação de Jesus (João, 12:35):

    Andai enquanto tendes luz.

    Imperioso aproveitar as oportunidades de edificação da jornada humana. É para isso que estamos aqui.

    Amanhã, poderá nos faltar a luz, a lucidez, a saúde, o vigor físico, a possibilidade de mudar e penoso será o futuro se não o fizermos.

    E há a turma do “solo rtil”.

    É o pessoal que ao primeiro contato com a palavra, sente um frêmito de emoção, algo que toca o mais íntimo do ser, como se sua vida estivesse, até então, em compasso de espera. É um maravilhoso despertar, que ilumina os caminhos.

    Estes logo “arregaçam as mangas” e tornam-se multiplicadores de sementes, produzindo trinta, sessenta ou cem por um, segundo suas possibilidades, mas sempre estendendo o Bem ao redor de seus passos para que o Reino se estenda pelo mundo.

    Há um aspecto a ser destacado.

    Por que, se somos todos filhos de Deus, há vários tipos de solo?

    Por que muitos não se sensibilizam?

    Por que, há os que se sensibilizam, mas permanecem distantes, preocupados com opiniões alheias?

    Por que há os que se aproximam, mas não estão dispostos a se envolver?

    Por que, enfim, há os que se envolvem?

    Por que, dentre eles, há os que produzem pouco e os que produzem muito?

    Que fatores determinam reações tão díspares?

    Se a palavra é para todos, porque não somos todos dadivosos?

    A teologia medieval situava a turma do “solo rtil” como indivíduos escolhidos por Deus para a santidade, mas isso só complica a questão, configurando uma injustiça inconcebível.

    Por que Deus escolheu o meu irmão ou o meu vizinho ou o meu adversário?

    Por que não eu?

    Só a reencarnação pode explicar essa diversidade de solos.

    A natureza de nosso envolvimento com os valores do Evangelho e o que produzimos, condiciona-se à maturidade.

    A vocação de servir, a disposição de uma participação efetiva, são frutos de experiências pretéritas.

    Geralmente, o servidor do Evangelho já nasce feito, não por mera graça divina, mas como o resultado de suas experiências anteriores.

    Veio da “beira”, para o “solo dadivoso”, com trânsito pelos “espinhos” e as “pedras”.

    Será que podemos, já na presente existência, entrar para a turma especial do “solo dadivoso”?

    Sem dúvida!

    O lavrador pode limpar o campo, tirar as pedras e os espinhos revolver a terra, aplicar adubo…

    Podemos e devemos fazer isso.

    Para isso estamos aqui.

    Depende de nossa iniciativa.

    É preciso tão somente usar a enxada da vontade, revolver a terra da indiferença e aplicar o adubo do trabalho, preparando o solo do coração para as sementes do Evangelho.

    Então, gloriosa será a nossa passagem pela Terra, com frutos dadivosos em favor do próximo e abençoada edificação para nós.


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