Vaidade..Orgulho..Poder..Prepotência

    Ao pensar em um tema para estas reflexões semanais neste espaço do Jornal da Manhã, escrevinhei vários e depois de um “brain storm” resultou nestes comportamentos nada recomendáveis, principalmente se nos atentarmos para as lições do Mestre Divino.
    Não sei porque essa escolha, mas como nada acontece por acaso, espero que tenha recebido da espiritualidade a intuição de que essas reflexões precisam ser vistas e revistas como base para se ‘sentir’ espírita e não ‘estar’ espírita.
    Bem, daí fui pesquisar e estudar o que encontrar sobre cada uma dessas situações. Como sempre faço primeiro procuro num dicionário o significado do termo. E encontrei o seguinte: “vaidade, s.f. – 1. desejo imoderada de chamar a atenção ou de receber elogios; 2. presunção; fatuidade;gabo.”
    Comparando com o que fez Jesus em sua passagem terrena podemos deduzir que representa um estado interior, matiz do egoísmo neutralizador dos bons sentimentos. O vaidoso só pensa em si mesmo, não percebe a existência de seus semelhantes, é um narcisista que jamais vão compreender o princípio ensinado pelo Mestre de que “somos todos irmãos”.
    Sobre a vaidade encontrei uma manifestação do Espírito George, na Revista Espírita, 1860, junho, pág. 197 – “Ela mancha todos os pensamentos delicados; penetra o coração e o cérebro. Planta má, abafa bondade em seu germe; todas as qualidades são aniquiladas por seu veneno. Para lutar contra ela, é preciso usar a prece; só esta nos dá a humildade e a força
    A última frase sintetiza como podemos extirpar qualquer sinal de vaidade que possa ameaçar o nosso horizonte de espírita e cristão: é com a inabalável e o poder da prece sincera e vontade de não se deixar vencer pelas tentações materiais.
    E no Evangelho de Kardec encontramos no capítulo XVII, Sede perfeitos, nº 8: “A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. (...) aquele que faz alarde de sua virtude não é virtuoso, pois lhe falta a principal qualidade: a modéstia. E sobra-lhe o vício mais oposto: o orgulho. A virtude realmente digna desse nome não gosta de exibir-se. (....) É para esa virtude, assim compreendida e praticada, que eu vos convido,meus filhos. Para essa virtude realmente cristã e verdadeiramente espírita, que vos convido a consagrar-vos. Mas afastai de vossos corações o sentimento do orgulho, da vaidade, do amor-próprio, que deslustram sempre as mais belas qualidades. (....) Mais vale menos virtudes na modéstia, do que muitas no orgulho. Foi pelo orgulho que as humanidades se perderam sucessivamente. É pela humildade que elas um dia deverão redimir-se”
    Quanto ao orgulho, “s.m. 1.- Elevado conceito que alguém faz de si mesmo. 2. amor-próprio exagerado. 3. Altivez;soberba” Orgulho é oposto diametralmente a humildade, proporcionando ao orgulhoso se situar acima dos demais seres humanos. Ele está voltado para dentro de si mesmo, super valorizando qualquer virtude que possa aparentar, por mínima que seja, e que o leva muitas vezes a humilhar aquele que ele pensa ser seu inferior, material ou intelectualmente.
    O orgulhoso está muito distante de Deus, tendo O esquecido por completo, magnetizado pelo que julga ser sucesso e superioridade. Este é, talvez, o maior problema de alguns médiuns, que se sentem “privilegiados” pelas manifestações que recebe ou por falsos dons que procurar mostrar., mas que o orgulho cega e o exalta.
    Na Revista Espírita de fevereiro de 1859 e no Livro dos Médiuns, capítulo XX, nº 228,, encontramos: “De todas as disposições morais, a que maior entrada oferece aos espíritos imperfeitos é o orgulho. Este é para os médiuns escolho tanto mais perigoso quanto menos o reconhecem. É o orgulho que lhes dá a crença cega n na superioridade dos espíritos que a eles se ligam, porque se vangloriam de certos nomes que lhes impõem.”
    E Allan Kardec , numa mensagem aos espíritas de Lyon alertou: “O egoísmo e o orgulho matam as sociedades particulares, como matam os povos e as sociedades em geral. Lede a história e vereis que os povos sucumbem sob o amplexo desses dois mortais inimigos da felicidade humana”. In Revista Espírita, 1862)
    Dos ensinamentos de Jesus voltados para mostrar o quanto mal faz o enraizamento desses sentimentos no coração do homem, o Evangelho registra diversas passagens: Mateus: V, 3 :”Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Lucas, XIV, 11: “Porque todo que se exaltar será humilhado e todo aquele que se humilhar será exaltado.” E muitas outras passagens vamos encontrar com a exaltação da simplicidade, da humildade, em contrapartida aos vícios do orgulho e da vaidade.
    Leon Denis também se referiu ao orgulhoso no seu livro Depôs da Morte: “ Entre todos os homens, ele é o que menos se conhece: presunçoso, nada pode arrancá-lo do erro, pois ele evita com todo cuidado tudo quanto serve para esclarecê-lo; odeia que o contradigam e não se agrada senão com a companhia dos aduladores...”
    Várias são as definições de poder, mas o poder aqui estudado é aquela forma de exercer um comando com força e autoritarismo. Direito de agir e mandar; vigor e potência. Mas nenhuma dessas definições se enquadra como virtude, mas sim defeitos. Saber exercer o poder é o difícil.
    Dentro da concepção do espiritismo podemos sentir que o poder que se condena é aquele desejo de mandar, de se mostrar superior. De se encastelar em uma redoma que os inferiores não se aproximam. É aquele poder que emana da vaidade, do orgulho, do exibicionismo. É o poder material por extensão, é um aleijão dentro da personalidade simples e humildade do verdadeiro cristão..
    Se em organizações empresariais, leigas, jnão se entende a luta pelo poder, pelo comando, pela sua perpetualidade, não podemos receber com bons olhos a luta para dominar um entidade espírita, um entidade voltada para a prestação de servilis à comunidade, à assistência espiritual.
    A lição maior de Jesus foi a sua humildade, mesmo quando poderia mostrar seu poder, sua força, ao ser indagado por Pilatos “Tu és Rei?”, ele respondeu “É tu que o dizes”. E sabemos que se quizesse usar do seu poder espiritual e de filho de Deus, teria subjugado as forças de Roma e a traição de Judas.
    Em Lucas, capítulo XIV, v. 1 e 7 a 11, lemos: “todo aquele que s e eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado.” Maravilhosa lição, nos ensina que não é subir ao posto mais elevado que irá nos tornar o melhor dentro do grupo, da sociedade. Jesus quis no dizer que a humildade nos leva ao seu Reino, ao contrária do que tem pretensão de ser mais elevado que os outros,não merecerá o seu Reino por não ter entendido suas lições.
    Mateus, no capítulo XX, 20 a 28, nos relata: “(...) Sabeis que os príncipes das nações as dominam e que os grandes as tratam com império. – Assim não deve ser entre vós; ao contrário, aquele que quiser tornar-se o maior seja vosso servidor; e aquele que quiser ser o primeiro entre vós seja vosso escravo; - do mesmo modo que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos”.
    É a sede de poder, a fome de exaltação de si mesmo, de mando, de ver sua própria figura como centro das atenções, cercada pela subserviência e dotada das faculdades de decisão sobre os destinos alheios,,, é essa sede de poder, essa energia negativa que desgraça o próprio ser, as instituições, a sociedade, o mundo.
    O orgulhoso, o ambicioso, o todo poderoso, o prepotente, o vaidoso, todos se esquecem da reencarnação.... O que será daquele que cultivar um ou mais desses defeitos? Aquele que se orgulha dos seus bens ou das posições que ocupa e pelas quais luta com todas suas forças, e não lhes dá a correta destinação, nas futuras encarnações certamente irão amargar a pobreza, a penúria, a miséria, para poderem dessa forma aprender a respeitar as leis divinas.
    Vaidade, orgulho, ganância, prepotência, a sede de poder, é um conjunto de vícios até mesmo oriundos do passado, revelam que o ser ainda não amadureceu para a vida eterna, tem como pressuposto a permissão da lei divina para uma felicidade egoísta.

    Fui encontrar no texto “Pobres de Espírito e Espíritos Pobres”, de Cairbar Schutel alguns conceitos que merecem ser anotados e refletidos:
    “Deus quer Espíritos ricos de amor e pobres de orgulho. Os ‘pobres de espírito’ são os que não têm orgulho, os espíritos ricos são os que acumulam tesouros nos Céus,onde a traça não os rói e os ladrões não os alcançam”.
    “Os ‘pobres de espírito’ são os humildes, que nunca mostram saber o que sabem, e nunca dizem ter o que têm; a modéstia é o seu distintivo, porque os verdadeiros sábios são os que sabem que não sabem!”
    “A humildade é a virgem sem mácula que a todos discerne sem poder ser pelos homens ser discernida”
    Foi esta a pobreza que Jesus proclamou: pobreza de sentimentos baixos, pobreza de caráter deprimido. Quantos pobres de bens terrenos julgam ser dignos do Reino dos Céus, e , entretanto, são almas obstinadas e endurecidas, são seres degradados que,sem coberta e sem pão, repudiam a Jesus e se fecham nos redutos de uma bastarda, que,em vez de esclarecer,obscurece, em vez de salvar, condena!”
    “Pobres de espírito são os simples e retos, e não os orgulhosos e velhacos;pobres de espírito são os bons que sabem amar a Deus e ao próximo, tanto quanto amam a si próprios”
    “Para estes é que Jesus disse: ‘BEM AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO, POQUE DELES É O REINO DOS CÉUS’ “ - extraído do livro ‘Parábolas e ensinos de Jesus’.
    Estejamos sempre atentos,não nos iludamos com as falsas premissas de felicidade aqui no planeta, não nos deixemos levar pelos falsos profetas e por aqueles que querem nos mostrar sua superioridade. Tudo isso é fogo fátuo. Que Deus nos abençoe.

    (publicado no Jornal da Manhã, Marilia, nodomingo dia 14 de novembro de 2004)


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