O Caminho da Verdadeira Glória¹

    Amigos, Deus vos recompense.

    A lembrança da prece me comove as fibras íntimas.²

    O espírito liberto esquece o homem prisioneiro.

    A alvorada não entende a sombra.

    Tenho hoje dificuldade para compreender a luta que passou e, não fosse a responsabilidade que me enlaça ainda ao campo humano, em vista das aflições que me povoaram as últimas vigílias na carne, preferiria que as vossas recordações, ainda mesmo carinhosas e doces, não me envolvessem o nome lutador insignificante.

    Descobrir caminhos foi a obsessão do meu pensamento. Reconheço hoje, porém, que outra deve ser a vocação da altura.

    Dominar continentes e subjugar povos, através dos ares, será talvez, extensão do domínio da inteligência perversa que se distancia de Deus. Facilitar comunicações às criaturas que ainda não se entendem, possivelmente será acentuar os processos de ataque e morte, de surpresa, nas aventuras da guerra. Dolorosa é a situação do missionário da ciência que se vê confundido nos ideais superiores. Atormentada vive a cultura que não alcançou o cerne sublime da vida.

    Terei errado, buscando rotas diferentes?

    Certo, não.

    O mundo e os homens aprenderão sempre.

    A evolução é fatal.

    Todavia, recolhido presentemente à humildade de mim mesmo, procuro caminhos mais altos e estradas desconhecidas, no aprendizado do roteiro para o Cristo, Senhor de nossas vidas.

    Não há vôo mais divino que o da alma.

    Não existe mundo mais nobre a conquistar, além do que se localiza na própria consciência, quando deliberamos converter-nos ao bem supremo.

    Sejamos descobridores de nós mesmos.

    Alcemos corações e pensamentos ao Cristo.

    Aprimoremos-nos para refletir a vontade soberana e divina do Alto por onde passamos.

    Crescimento sem Deus é curso preparatório da queda espetacular.

    Humilharmos-nos para servir em nome de Dele é o caminho da verdadeira glória.

    De qualquer modo, agradeço-vos.

    O trabalhador que repara as possibilidades para ser mais útil jamais se esquecerá de endereçar reconhecimento às flores que lhe desabrocham na senda.

    Crede! Não passo de servidor pequenino.



    Anotações:
    1 – Esta mensagem foi recebida na noite de 20 de julho de 1948, data aniversária de Santos-Dumont, no Grupo Espírita Luís Gonzaga, em Pedro Leopoldo, MG.

    2 – Já tive ocasião de escrever (Trinta Anos com Chico Xavier, Clovis Tavares, Edição IDE, Araras, SP) que em julho de 1948, como sempre o fazia em época de rias escolares, pus-me a caminho de Pedro Leopoldo. Durante a viagem- resumo aqui- meu pensamento se fixou intensamente na personalidade de Santos-Dumont: sua vida, suas dedicações, sua morte dolorosa. Relembrava páginas de Gondim da Fonseca, depoimentos sobre seus trabalhos aeronáuticos, observações do seu “Dans I’Air”... Mentalmente recapitulava episódios da vida do Pai da Aviação: a infância extraordinária, o balãozinho Brasil, o 14-Bis... Cabangum, Saint-Cloud, Guarujá...E meditava, outrossim, na confortadora notícia que o Chico me dera, dois antes de que Santos-Dumont, desde 1936, era um dos mais devotados Amigos Espirituais de nossa Escola Jesus Cristo (fundada em 1935...).

    Seis dias depois, na noite de 20 de julho (saíra de Campos no dia 14), numa reunião íntima com Chico, em recordando a data natalícia do genial brasileiro, pedi aos companheiros do pequenino grupo permissão para formular uma prece em memória do Benfeitor Espiritual.

    O querido médium, havendo percebido a presença de Santos-Dumont em nosso círculo íntimo, transmite-me suas palavras de carinho e também uma notícia que me provocou profundo impacto emocional, pois guardara, natural e modestamente, completo silêncio sobre minhas cogitações durante a viagem Campos, RJ. Revela-me, então, o Chico que Santos-Dumont lhe estava dizendo que muito se sensibilizara com minhas lembranças de sua pessoa, durante a referida viagem e, comovido, me agradecia as recordações afetuosas, desejando escrever uma página destinada ao nosso pequeno grupo. E assim o fez. Esta, resumidamente, a história da mensagem portadora de tão elevados sentimentos e ensinos. (C.T.)


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