Fala Contigo

    Quando as nuvens do sofrimento
    Invadirem teu céu mental,
    Não desfaças a sombra em trovões e coriscos,
    Fulminando corações em derredor...
    Poderias aniquilar
    Muitos germes da ,
    Muitas flores tenras da esperança.

    Busca o refúgio do silêncio e medita...
    E quando a serenidade acolher-te em teu manto,
    Fala contigo mesmo,
    Conversa com a tua própria ira,
    Põe diante dos olhos sua figura sombria,
    Dize-lhe que talvez teu irmão
    Sinta fome de pão ou sede de carinho
    Sem que ninguém lhe conheça o heroísmo obscuro!
    Talvez esteja exausto
    À procura das oportunidades que te sorriem desde muito
    Incapaz de suportar, por mais tempo, as lutas que lhe parecem intermináveis...

    Possivelmente,
    Não iniciou a existência com os recursos felizes de teu começo
    E viverá revoltado, entre os espinhos da ignorância.

    Quem sabe?
    Dize à tua cólera.
    Que o pobrezinho é desfavorecido e infeliz,
    Provavelmente, nunca recebeu
    Um beijo de mãe, um carinho de esposa, a ternura de um filho,
    Um abraço de irmão, o afeto de um amigo,
    Talvez
    Esteja perseguido em si mesmo
    Pelos demônios da inconformação!

    Comunica-lhe tuas impressões fraternais no grande silêncio...
    Tua cólera ouvirá, chorando de dor
    E as lágrimas benditas
    Lavar-lhe-ão a túnica negra
    Que resplandecerá de alvura e de beleza...

    Em seguida,
    Voltará ao teu coração,
    Plenamente transformada.
    Deixará seus títulos, seus direitos e honrarias,
    Esquecerá toda ofensa, toda injúria, toda dor...
    Mudará o próprio nome
    E chamar-se-á Compreensão,
    Compreensão gloriosa e sublime,
    Filha de Deus,
    Irmã da Humanidade e Serva da Natureza,
    Para a Vida Imortal...


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