Do Lar para o Mundo

    Minha amiga:

    O jardim do mundo continua repleto de possibilidades divinas, mas nem sempre conseguimos colher as rosas de nossa plantação.

    Comumente, é imprescindível saber aguardar.

    A Terra da experiência é sempre a mesma, onde nossas esperanças foram semeadas um dia, para recebermos, hoje, a que nos revigora os corações.

    Tenhamos paciência e bom ânimo.

    A mais santa qualidade do amor é a de saber esperar sem desesperar.

    Nossos filhos são sempre os mais lindos rebentos da árvore de nosso ideal.

    Entretanto, não lhe formamos a vida terrestre para nós.

    A maneira do escultor que alça a argila informe à condição de vaso inapreciável para servir no mundo, pela graça de Deus, assumimos o papel de mães, na vida que nos pede os filhos do coração; para que integrem as legiões de sua glória.

    Louvado seja o Senhor.

    Maria, a nossa Mãe Santíssima, não recebeu Jesus para dele orgulhar-se, qual se fora o nosso Divino Mestre uma orquídea celestial, a nutrir-se, invariavelmente, da seiva de sua alma sublime. Alentou-o e preparou-o para a Humanidade, entregando, aos homens, um berço de luz na manjedoura e recebendo, em retribuição, o madeiro escuro da morte.

    Saibamos, pois, superar nossas mágoas e indecisões com a certeza de que a união imperecível nos aguarda, além de todos os espinheiros da separação.

    O Espiritismo, felizmente, não nos plasma o ideal religioso para a imobilidade dogmática.

    Confere-nos o conhecimento superior, habilitando-nos ao serviço da comunidade. Com ele descobrimos, finalmente, que a nossa família não está circunscrita às fronteiras do templo doméstico. Somos a esposa de um companheiro de luta e a mãe de nossos filhinhos; mas, igualmente, a irmã e a serva do progresso, do progresso geral, em cujas linhas encontramos as nossas ocupações de fraternidade redentora.

    Religião, para nós, significa atividade e diligência no bem, de vez que sabemos o Mestre Divino à nossa espera na pessoa de nossos semelhantes necessitados. Em razão disso, a morte do corpo, para nós outras, constitui abençoada porta de libertação para o trabalho maior.

    Realmente, os nossos continuam sendo o canteiro perfumado de nosso carinho, o oásis fechado de nossa devoção particular; mas a Terra se nos afigura a bendita lavoura de nosso enriquecimento novo e o trabalho, exigente, luminoso e fecundo, nos arrebata a novos horizontes, em que a nossa mente cresce, feliz, no rumo dos mais altos interesses de nosso espírito.

    Nesse critério, louvemos, agora, as dificuldades que nos distanciam de certos círculos de ternura feminina.

    Exaltemos as dores que nos renovam, agradeçamos a Deus os açoites invisíveis que nos vergastam a alma sensível. Com semelhante auxílio, erguer-nos-emos, sem tropeços, para a vida superior.


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