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A noite prometia trabalhos dinâmicos e intensos. Na organização espiritual da reunião, encaminhamos alguns Espíritos, do agrupamento ao qual já nos referimos, para o atendimento através do intercâmbio mediúnico. Os medianeiros tiveram dificuldades em lidar com mentes tão desequilibradas. Os adversários trajavam-se de maneira exótica, colorida, fantasiosa, à maneira das festas carnavalescas com enredo futurista. Muitos dos comunicantes programados se renderam às evidências da lógica, da razão, do bom senso e do Cristo, graças ao diálogo amigo e às sinceras vibrações dos companheiros encarnados, coadjuvados por nossa assistência.
Encerrada a reunião de obsessão'>desobsessão, desfeito o tumulto exterior e distribuídas algumas tarefas para a finalização de nossas atividades neste campo, contituímos equipe de trabalhadores experientes e disciplinados, dirigindo-nos à casa onde nosso socorro era esperado.
O local, realmente, era de espantar!
Assemelhava-se aos filmes de ficção científica, no qual a imaginação construiu cenários esdrúxulos para satisfazer a vaidade dos Espíritos fascinadores.
Construídos no ambiente de fluidos, notávamos réplicas de pretensas naves espaciais, mapas estelares, pedras com aparência intencionalmente mística, emanando discreta luminosidade, para impressionar as mentes fracas e vaidosas.
Tudo foi pensado, meticulosamente organizado para que os videntes, tão valorizados entre eles, observando do plano físico a construção fluídica, dessem testemunho da suposta realidade espiritual.
Se um médium despreparado vislumbrasse a casa no ambiente fluídico, teria uma visão verdadeira, mas de um conteúdo falso e enganador.
A vidência tem nuanças delicadas, matizes que carecem de rigorosa análise e interpretação.
A faculdade de ver espiritualmente, quando de forma educada e disciplinada, usada com ética e discrição, é elemento auxiliar nas atividades espíritas; contudo, quando se torna veículo de exibição e exaltação mediúnica, é sempre sinal de perigo.
Não havia verdade, os adversários desejavam escravizar os encarnados, fazendo com que, dia após dia, ficassem dependentes daquela alucinante “assistência espiritual”.
Se o intermediário não estuda os mecanismos da própria mediunidade e as leis que regem o intercâmbio espiritual, fatalmente será vítima dos fascinadores.
É interessante notar a criatividade de certos grupos de Espíritos obsessores no tocante à obsessão coletiva.
Alguns irmãos encarnados se prendem a idéias missionárias, sem demonstrar a menor aptidão moral, no campo dos testemunhos; estão longe de vivenciar o Cristo. Enquanto agirem assim, os obsessores terão largo campo de ação, e nós, muito trabalho!
Geralmente, um dos primeiros passos realizados pelos adversários, nesta área, é tocar no ego das criaturas com elogios, conquistando a confiança para que a vaidade faça desaparecer a lógica e a razão.
E o antídoto para evitar tantas dores, problemas e arrependimentos está nas obras de Allan Kardec, que infelizmente são pouco estudadas! Quando a humanidade descobrir o avanço científico, filosófico e religioso dessas obras, muitas dificuldades serão evitadas.
Segundo os levantamentos feitos pelas entidades superiores, que os monitoravam com objetivo de ajudá-los, os residentes encarna­dos praticavam o mediunismo sem qualquer estudo doutrinário, embora “conhecessem” o Espiritismo.
Desprendidos do corpo, por ocasião do sono, os moradores confundiam-se com os obsessores.
Estavam todos aguardando a chegada de uma nave espacial. Observávamos com respeito e cautela aquelas expressões fantasiosas, sem que fôssemos percebidos pelas entidades perispiritualmente grosseiras.
Um dos coordenadores do movimento extraterrestre que dizia ser da mais alta hierarquia angelical, entendendo que era preciso organizar seu exército, deu ordem enérgica, reunindo todos os pre­sentes à sua frente.
— Amigos, disse a entidade fanática, em breve, naves espaciais haverão de nos conduzir para mundos superiores.
Fomos escolhidos para sermos os salvadores do planeta, somos todos missionários.Enquanto aguardamos a hora adequada, nossa missão, de alertar os homens sobre os perigos que estão causando à Terra com o avanço tecnológico, deve continuar. Dores, problemas sociais, terremotos, maremotos, pranto e ranger de dentes; tudo será modificado no planeta, haverá grande destruição, porém, aqueles que perseverarem nesta nova doutrina serão salvos Nosso compromisso é com o futuro! É preciso nos unirmos no objetivo de fazer prosélitos, de irradiarmos nosso novo ideal, a fim de um número maior de pessoas aderir ao nosso movimento.
O mundo vive em enganos de toda sorte, perde-se por completo; nos, porém, seremos os salvadores. Haveremos de trabalhar dia e noite para que nossa mensagem seja divulgada.
Os que estão na carne têm a missão imperiosa de convencer a qualquer custo aqueles que os rodeiam. Nada de orações, nada de religiões raciocinadas, nosso grande objetivo será divulgar “a nova era”. Notávamos aquelas expressões, compadecidos de tanta ignorância. No fundo, eram criaturas, seres espirituais fugindo da própria desgraça.
UtilÏzavam-se daqueles recursos, criando novas doutrinas para não enfrentarem as conseqüências dolorosas das atitudes impensadas do passado, sentenciadas pela própria consciência, complican­do-se, ainda mais, no presente.
Sabiam que a Lei de Ação e Reação, mais dia ou menos dia, os buscariam; não ignoravam a reencarnação como fato, mas insistiam em fugir da realidade escondendo-se no fanatismo, usando a másca­ra da fascinação, ocupando o tempo com as mentes vazias e dese­quilibradas de alguns encarnados.
Certamente, existe vida em outros planetas. Somos todos seres espirituais, viajantes no universo infinito. Nossa Via Láctea é um grão de areia no cosmo.
Porém, muitos dos relatos feitos de contatos com seres de outros planetas carecem de fundamentação e comprovação. Há muito mito e fantasia em torno disso.
A constatação de que seres de outros planetas visitam a Terra utilizando-se de nova tecnologia, discos voadores, não está no campo do Espiritismo e, sim, no da ciência oficial, acadêmica.
A tarefa do Espiritismo não é ficar procurando óvnis, e sim promover a transformação moral dos que o compreendem. Nos espíritas, já temos muito com que nos preocupar. Todavia, isso não impede que o adepto da doutrina estude, particularmente, racionalmente, certos fenômenos, mas trazer esses estudos para o Centro Espírita, ou fazer da mediunidade objeto de especulação, é não compreender a finalidade do Espiritismo e banalizar a faculdade mediúnica.
“Melhor é repelir dez verdades que aceitar uma única falsidade, uma só teoria errônea”. E a recomendação de Erasto em O Livro dos Médiuns.
A mediunidade deve ser utilizada para fins superiores de socorro, instrução e oportunidade de servir.
Se estiver nos planos do Criador revelar novas verdades, através do fenômeno mediúnico, certamente desejará a técnica do consenso universal para o estudo dessas realidades.
Coletados os dados, deixávamos o lar conturbado a fim de tomarmos as providências necessárias; já de saída, fomos abordados por alguns familiares, desencanados, dos residentes, que conseguiam nos ver graças aos sentimentos superiores que cultivavam.
A madrugada já estava avançada. Localizada no plano espiritual, desprendida parcialmente do corpo pelo fenômeno do sono, a cooperadora tomou conhecimento resumido dos fatos.
Horas depois, Angelina, nossa esperança encarnada, acordou envolta em doces lembranças e suaves vibrações, guardando na me­mória o convívio com entidades amigas.
Na convivência social, morando nas proximidades da família em questão, não foi difícil promover a aproximação de nossa mé­dium com alguns pretensos missionários do agrupamento extrater­restre, principalmente porque a fama de fanáticos já havia corrido o bairro.
Semanas depois, convidada a participar da palestra dos supostos seres evoluídos, nossa colaboradora encarnada, sem guardar na consciência os bastidores espirituais, movida por um desejo de observação provocado por nós, compareceu à reunião marcada.
Durante os trabalhos, os médiuns vestiam-se com roupas estranhas; usavam objetos sem nenhum efeito espiritual e com palavras cabalísticas, sem o menor sentido, numa língua confusa e inexistente, invocavam seus “mestres” que se apresentavam, através da mediunidade, com nomes esquisitos e ridículos.
Após alguns segundos, víamos os fascinadores avançarem sobre os medianeiros à semelhança de sanguessugas vorazes, vampirizando-os energicamente, além de falarem desassombradamente sobre a dou­trina revolucionária que traziam.
Angelina, assim como nós, observava respeitosamente, orando a Deus para que não lhe faltasse proteção; de nossa parte, endereçamos-lhe vibrações de ânimo e coragem.
A reunião durou três longas horas, entre comunicações cansativas e repetitivas sem conteúdo digno de nota.
Os médiuns videntes vislumbravam, fanatizados, o cenário espiritual. Nos minutos finais da interminável reunião, elevamos nosso pensamento em oração. Nossa equipe era composta de trinta companheiros bem experientes e com grande desejo do bem.
Quando nossos pensamentos se uniram vibrando harmoniosamente, o ambiente se iluminou por completo, os adversários perceberam-nos através do contraste das vibrações e, neste momento, um legítimo extraterrestre se apresentou.
Entidade belíssima, daquelas que, por processo evolutivo determinado por Deus a todas as criaturas, alcançou, graças ao esforço próprio, o direito de habitar os mundos ditosos ou felizes, tendo feito sua evolução anímica em outro sistema solar. A entidade abraçou-nos amorosamente num só olhar.
Viera a pedido de nossos superiores e tivera de modificar seu perispírito, revestindo-se da matéria fluídica do nosso mundo, além de densificar o corpo espiritual para o socorro necessário.
Desejava transmitir palavras orientadoras através da mediunidade, mas não havia quem pudesse iritermediá-la.
Observando Angelina, a entidade de planos sublimes envolveu delicadamente nossa intérprete, tocou-a com seus pensamentos, acionando-lhe o mecanismo mediúnico e, pela faculdade da psico­fonia, começou a falar mais ou menos nestes termos:
— Caros irmãos em Jesus, paz a todos.
É louvável o interesse que nutrem pela salvação da Terra. Isso expressa caridade para com os semelhantes.
Contudo, este desejo não está sendo bem exercitado.
É preciso, de fato, salvar o planeta: da ignorância, da inveja, do orgulho, da vaidade...
E isso se consegue vivendo, praticando o bem.
Assim, como missionários que se consideram, precisam de fato salvar a mundo.
O mundo íntimo de inúmeras crianças órfãs.
O mundo de muitos idosos que se despedaça na solidão.
O mundo dos enfermos que se acaba em dores.
O mundo dos marginais que precisam de alguém que os reconduza à sociedade.
O mundo emocional já acabou para quem sente fome, sede,frio e não tem teto sob o qual morar.
Enquanto esperam as chamadas naves espaciais, o planeta se acaba, não com o avanço tecnológico, mas pela falta de ação no bem, pela falta de fraternidade, pelo muito falar em salvação e o pouco se praticar a caridade.
Entretanto, o planeta não está perdido. Há uma organização superior que mantém a harmonia universal.
E o Senhor da vida revela sua sabedoria respeitando o livre-arbítrio das criaturas, pois sabe que, na grande escola da vida, até do mal tiramos um bem.
Por isso é que esta nova doutrina, à qual vocês se dedicam, precisa ser repensada, pois, se a Terra é uma abençoada escola, se pode ser aproveitada para nosso crescimento, se Deus é parcial'>imparcial, ama seus filhos igualmente e não há regime de exceção, nem privilégios, por que estaria o Criador querendo retirar deste educandário as criaturas ainda em aprendizado?
Assim, se estão desejosos de ajudar a salvar o mundo, o campo é vasto. Está faltando pegar a charrua e arar a terra. O trabalho cristão se converterá em “espaçonave” que nos conduzirá para o progresso espiritual, após verdadeira caridade e inúmeros testemunhos.
Lembrem-se de que não há amor maior do que doar a vida, traba­lhando em benefício dos semelhantes, salvando-os das dificuldades.
Se, por vezes, a sociedade aparenta estar passando por problemas e
confusões, geralmente é pela falta de atuação no bem!
É preciso assumirmos o compromisso de cooperarmos com Jesus na
transformação moral do planeta, em vez de querermos abandoná-lo.
Em relação aos cataclismos que vez por outra assolam os seres humanos, não devem ser encarados como descaso do Criador. É a Lei de Destruição funcionando como mecanismo de progresso. Não há morte para o espírito imortal. E, às vezes, pelas situações materiais dolorosas é que a humanidade desperta para as coisas do espírito.
O Senhor da vida nada faz inutilmente. E, à medida que progredi­mos intelectualmente, a moral forçosamente tende a acompanhar, porque a inteligência reconhecerá a necessidade de convivência pacífica para um mundo melhor, questionará o porquê e para quê das coisas, encon­trando um Deus mantenedor do Universo; e a tecnologia será utilizada para a diminuição destes problemas naturais para a prolongação da vida na Terra, visando a um melhor aproveitamento do espírito, corrigindo as imperfeições da matéria.
Como vêem, tudo no Universo é amor e harmonia.
“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
Terminada a comunicação, o Espírito superior se afastou da médium, após ter semeado bom senso.
Os familiares desencarnados de alguns dos presentes, sobretudo Catarina, emocionados, vibravam para que as orientações libertas sem as mentes dos participantes.
No campo espiritual, os adversários, diante de tanta luminosidade, tentaram fugir da verdade.
O anjo de luz, num brado de louvor a Deus, enlaçou-os em intensas vibrações de compreensão, piedade e amor.
Ninguém resistiria a tanta bondade; muitos caíram de emoção, choravam quais crianças reencontrando o caminho de volta para casa.Outros confessavam-se enganados e enganadores.
Pudemos, naquele instante, socorrer grande número de alucinados e, o mais importante, os obsessores chefes foram abraçados verdadeiramente pelo nosso desejo de amparar e se renderam às evidências e às nossas amoráveis argumentações. No plano físico, parte desta cena foi registrada pelos médiuns videntes.Tivemos à nossa frente um verdadeiro ser de outro planeta ca­racterizando-se, através de sua linguagem traduzida em conselhos edificantes e atitudes cristãs, como um ser verdadeiramente superior, tendo demonstrado suas qualidades nos moldes da avaliação proposta pelo Codificador.
O mensageiro disse o essencial sem, em nenhum momento, se orgulhar ou relatar seu mundo, suas técnicas, exaltando, contudo, a mensagem cristã, comprovando que, no Universo, reina absolutamente a vontade do Criador; e que, nos revestindo deste ou daquele corpo, neste ou naquele mundo, somos todos irmãos, filhos de Deus, cujo objetivo é progredir incessantemente rumo à perfeição.


Por: Nora, Caso tenha ou possua, envie-nos a referência desse texto.


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