A Despedida de Vital

    Lua cheia... Na choça a que se apega,
    Morre Vital, velhinho, olhando o morro...
    Por prece, escuta a arenga do cachorro,
    Ganindo nas touceiras da macega.

    Pobre amigo!... Agoniza sem socorro,
    Chora lembrando o milho na moega...
    Oitenta anos de lágrimas carrega
    Na carcaça jogada ao chão sem forro.

    Suando, enxerga um moço na soleira,
    - “Eu sou leproso...” – avisa em voz rasteira,
    mas diz o moço, envolto em luz dourada:

    - “Vital, eu sou Jesus! Venha comigo!...”
    E o velho sai das chagas de mendigo
    Para um carro de estrelas da alvorada.


    A+ | A- | Imprimir | Envie para um(a) amigo(a) | Mensagem Anterior | Posterior | Ouça o conteudo



    Acesse todas as Mensagens