Açoitando o Ar

    Definindo o trabalho intenso que lhe era peculiar na extensão do Evangelho, disse o apóstolo Paulo com inegável acerto: “- Eu por minha parte assim corro, não como na incerteza; de tal modo combato, não como açoitado o ar”.

    Hoje como ontem, milhares de aprendizes da Boa Nova gastam-se inutilmente, através da vida agitada, asseverando-se em atividade do Mestre, quando apenas simbolizam números vazios nos quadros da precipitação.

    Possuem planos admiráveis que nunca realizam.

    Comentam, apressados, os méritos do amor, guardando lamentável indiferença para com determinados familiares que o Senhor lhes confia.

    Exaltam a tolerância, como fator de equilíbrio no sustento da paz, contudo se queixam amargamente do chefe que lhes preside o serviço ou do subordinado que lhes empresta concurso.

    Recebem os problemas que o mundo lhes oferece, buscando o escape mental.

    Expressam-se, acalorados, em questões de , alimentando dúvidas íntimas quanto à imortalidade da alma.

    Exigem a regeneração plena dos outros, sem cogitar de reajustamento a si mesmos.

    Clamam, acusam, projetam, discutem, correm, sonham...

    Mas, visitados pela crise que afere em cada Espírito os valores que acumulou em si próprio, diante da vida eterna, vacilam, desencantados, nas sombras da incerteza, e, quando chamados pela morte do corpo à grande renovação, reconhecem, aflitos, que em verdade estiveram na carne combatendo improficuamente, como quem passa na Terra açoitando o ar.


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