Reconhecimento Profundo

    Sempre quando observo o céu coroado de estrelas, recordo-me das suaves canções que você cantava enquanto eu adormecia no seu colo, mãezinha querida, exaltando os astros.

    Toda vez que me detenho a observar as flores na quadra primaveril, retornam à minha mente as suas ternas palavras de exaltação a Deus e à vida.

    Quando me defronto com qualquer forma de sofrimento e sinto o ânimo diminuir, volvem-me à lembrança as sérias advertências com que você me ensinava a enfrentar as dificuldades, elucidando-me que todas elas têm por objetivo desenvolver os valores morais adormecidos no indivíduo.

    No relicário da minha memória estão impressos todos os momentos em que ambas, sonhando e sorrindo, nos abraçávamos, buscando amparar-nos reciprocamente, e você, na condição de anjo miraculoso ensinava-me a resolver todos os problemas, demonstrando que as dificuldades são mais filhas da acomodação do que da realidade.

    Repasso pela tela das evocações as lições preciosas com que você enriqueceu a minha existência e comovo-me com a sua sabedoria, feita de amor e de experiências.

    Você soube renunciar a mil prazeres para estar com a sua filhinha dependente e necessitada, enquanto outras mulheres buscavam a futilidade e o passatempo.

    No seu vocabulário não haviam essas palavras e você sabia preencher todas as horas com trabalho, alegria de viver e cumprimento dos deveres que lhe diziam respeito.

    No seu exemplo eu me fortaleci para os inevitáveis desafios existenciais, e cresci confiante em Deus e nas possibilidades de ação que nos estão ao alcance, todas elas, inclusive as que se expressam como sofrimento, portadoras de finalidades iluminativas.

    Compreendi que a vida tem um sentido psicológico profundo, que diz respeito à autorrealização e ao desenvolvimento do amor que se deve expandir em direção do próximo e de todos os seres sencientes.

    Hoje, quando também sou mãe, tenho a dimensão da sua grandeza e dos seus esforços para superar os limites naturais da existência, tornando-se a gigante da dedicação e do bem.

    A maternidade, sem dúvida, é suprema dádiva de Deus para a construção do mundo realmente feliz.

    No lar, recordo-me, está a sociedade em miniatura, como você dizia, na qual treinamos fraternidade e tolerância, de modo que os enfrentamentos podem sempre ser coroados de bondade e de compaixão, evitando a destruição e o crime.

    Quando a sociedade atinge a mais alta expressão de tecnologia de ponta e de ciência aplicada ao bem e ao progresso, infelizmente a maternidade vê-se relegada a um plano secundário, em face do egoísmo da mulher que deseja realizar-se fora do lar, competir no mercado de trabalho com os homens, lutar em favor dos seus direitos, o que, aliás, é justo, deixando, porém, em abandono o sagrado compromisso da procriação.

    ...E quando ocorre tornar-se mãe, delega a pessoas remuneradas, que nem sempre amam, os deveres que lhe são impostos pelas leis da vida, tornando-se fornecedora ao invés de ser segurança e felicidade.

    Como resultado, temos hoje os filhos órfãos de pais vivos, adotados pelos traficantes de drogas e pela violência de todo jaez, constituindo uma juventude atormentada e infeliz que se atira às paixões consumptoras, em espetáculos deprimentes ou selvagens, demonstrando a dor que experimentam pela falta do carinho que somente o lar e a maternidade podem oferecer.

    A onda de loucura e de irresponsabilidade aumenta o desequilíbrio da sociedade que aborta e tenta legalizar o crime, em nome dos mentirosos direitos que a mulher possui sobre o seu corpo, sem dar-se conta que o novo corpo que nela se encontra não é de sua propriedade e necessita de viver...

    Enquanto a maternidade estiver ultrajada ou relegada ao esquecimento a sociedade se encontrará sem orientação nem esperança de felicidade, porque o lar é o divino instituto da educação sob a segura diretriz do amor de mãe, insubstituível em toda a sua dimensão.

    Desse modo, mãezinha querida, homenageio-a todos os dias, cantando hinos de amor à sua memória e procurando, embora palidamente, agir como você na educação dos meus filhos, os rebentos de carne com que os Céus dignificam a Terra, no momento da grande transição que se opera...

    Deus a guarde nesse zimbório de estrelas diamantinas, em que você intercederá pelas mães da atualidade, a fim de que adquiram consciência dos seus deveres impostergáveis.


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