Tempo e Vida

    Depois da morte é que vemos,
    Quando a luz se nos revela,
    Quanta sombra e bagatela
    Guardamos no coração.
    Quantos lamentos inúteis
    Complicavam-nos a vida,
    Quanta palavra perdida,
    Quanto tempo gasto em vão!...

    Quantas horas desprezadas,
    De espírito desatento
    Nos enganos de um momento
    Que o próprio tempo desfaz!
    Quanta contenda improfícua,
    Quanto disfarce no rosto
    Que se transforma em desgosto
    Furtando a esperança e a paz.

    Alma querida, não creias
    Seja a morte o fim de tudo,
    O tempo – esse sábio mudo-
    Concede-nos voz e vez,
    Acompanha-nos o passo,
    Age, segundo a segundo,
    E nos conhece o mundo
    Tudo aquilo que se fez.

    Ama, esclarece, abençoa,
    Sofre e luta, mas não temas,
    Ninguém vive sem problemas,
    Onde estiver e onde for;
    Vida é lavoura perfeita,
    Morte é o braço que a preserva,
    Que só replanta ou conserva
    O que se faz por amor.


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