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Senhor!...
Quantos te deram
A vida de uma vez!...
Bendito o santo que se fez
Na virtude integral!...
Louvado seja o apóstolo da
Que viveu e sofreu, padecendo de pé,
dando-te o coração para vencer o mal!...
Glorificados sejam para sempre
Os mártires e heróis
Que te seguiram sem vacilações
Para o Reino do Amor onde te pões,
À maneira de sol refulgindo entre os sóis!...

Ampara-me, porém,
Compassivo Senhor do Eterno Bem,
A mim - pobre de mim - que só te posso dar
Meus frágeis sentimentos como são,
Consagrando-te a vida, gota a gota,
Dentro de minha própria imperfeição!...
Quando me chamas para a caridade
Ante os encargos de que me encarrego,
Perdoa se te entrego
Apenas um vintém
No socorro de alguém.
Quando me sabes de mãos ricas...
Tão logo me assinalas e edificas.
Pedindo-me concurso em favor de um doente, 
Desculpa se te dou tão-somente um minuto 
De todo o largo tempo que desfruto,
A fim de repousar indefinidamente.

Quando me buscas para ser
A intervenção do amor,
Segundo o meu dever,
Onde o ódio campeia
E a discórdia domina,
Perdoa se te oferto simplesmente,
Em frase pequenina,
Breve conceito superficial,
Que fale de harmonia e conserve tal qual
O problema que aflige a vida alheia.
Fugindo de espalhar a paz a que me elevas
Deixando em fogo e pranto as vítimas das trevas...
Quando me indicas à piedade
Por aqueles que a crítica condena,
Perdoa se te trago,
De sentimento indefinido,
Curto gesto de pena,
Qual se colaborasse,
Na indecisão de minha própria face,
Para que o bem seja esquecido...
Releva-me, Senhor,
A doação escassa
Nos imensos recursos que me deste
Do Tesouro Celeste!...

Do teu rio gigante de ternura
Recebo, dia a dia,
Carinho, bênção, graça,
Providência e alegria
Em manifestações da luz que nunca falha;
Mas de tudo o que dou, cedo apenas migalha...
Leve nota de amor, incrustada de ciúme,
Um pingo de paciência em caudais de azedume,
Uma palavra de esperança
Entre laudas de queixa desatada,
Leve nota de paz
Em tom distante e indiferente,
Eis o que dou somente...
Tantos me amparam tanto e auxilio a tão poucos!...

Senhor!...
Abre-me o coração,
força nova aos meus ouvidos moucos,
Prende-me os braços ao serviço,
Cura-me o pensamento ocioso e enfermiço!...
E, por agora,
Se te dou minha vida, gota a gota,
Nas sombras do egoísmo em que me vejo,
Entre rosas de sonho e espinhos de desejo,
Lavrando contra mim
Exigências fatais
Que somarão mais tarde prova e dor,
erdoa-me, Senhor,
Se nada posso fazer mais...


Por: Maria Dolores, Do livro Diálogo dos Vivos, Médium: Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires - Espíritos Diversos


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