Além da Noite

    Dos corações clamando agonia e desterro
    Cai o orvalho do pranto em fel da desventura...
    A saudade a chorar dita a rota do enterro,
    Mas o túmulo em si é breve noite escura...

    Espírito é sol no corpo, — escrínio perro,
    Jóia viva a brilhar além da sepultura,
    Luz ativa a esmorecer, sob a lama do erro,
    Ou cresce a refulgir, se ascende bela e pura.

    Onde vá, todo ser caminha lado a lado.
    Da luz que exprime sempre o amor profundo e ardente
    Ou da sombra que em tudo é tenebroso mito,

    A deixar cada dia o crisol do passado,
    Vai e vem a sofrer, no esmeril do presente,
    Para estampar-se, enfim, nos trous do Infinito!


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