O Preço de uma Vida

    Quando, em nosso país, tantas vozes se erguem na defesa da eliminação da vida, uma pausa para reflexão se faz devida.

    Quanto vale uma vida? Será que, por não ser ainda alguém que contribui para a sociedade, por não ter voz suficientemente alta para se defender, o embrião ou o feto merece a morte?

    O que pretendemos com tal posicionamento?

    Recordamos que na China, entre 1979 e 1980, entrou em vigor a lei de um único filho.

    Isso motivou o crescimento do número de crianças abandonadas ao nascer. Sobretudo meninas. Também o infanticídio e o consequente envelhecimento da nação.

    Em outubro de 2015, passou a ser permitido o segundo filho.

    A jornalista Xinran, hoje radicada em Londres, conta uma de suas experiências dolorosas, do ano de 1990.

    Era uma manhã de inverno. Ao passar por um banheiro público, uma multidão ruidosa estava rodeando uma sacola de roupas, entregue ao vento da estrada.

    A jornalista se aproximou e recolheu a trouxinha: era uma menina de apenas alguns dias.

    Estava azul de tão gelada e o pequeno nariz tremia.

    Ninguém ajudou Xinran. Ninguém moveu um dedo para salvar a criança.

    Ela a levou ao hospital, pagou pelos primeiros socorros mas ninguém ali estava com pressa de salvar aquela recém-nascida.

    Somente quando Xinran apanhou seu gravador e começou a relatar o que via, um médico parou e levou o bebê para a emergência.

    Uma enfermeira disse: Perdoe-nos a frieza. Há bebês abandonados demais. Ajudamos mais de dez, mas depois ninguém queria se responsabilizar pelo futuro deles.

    A vida se tornou ali tão banal, a sorte das meninas recém-nascidas é tão incerta que se prefere deixá-las morrer.

    Será que é algo assim que desejamos para nosso país? Que a vida em formação se torne de importância nenhuma, de forma a que possa ser eliminada, em pleno florescer?

    Pensemos nisso.

    Em nosso país, se desconhece o número de abortamentos praticados. São milhares de brasileiros que nunca chegarão a ver a luz do sol.

    Logo mais, poderemos ter leis que dirão quem pode ou não continuar vivo.

    Um idoso que somente onera a sua família merecerá continuar a viver?

    E um portador de anomalia grave ou deficiência mental?

    Quem está desempregado, quem não contribui eficazmente para a sociedade!?

    Para onde caminharemos?

    Manifestemo-nos. Digamos aos nossos representantes que somos cristãos e prezamos a vida, que nos é dada por Deus, não competindo ao homem destruí-la, por livre deliberação.

    Felizmente, para a pequenina chinesa, a voz da jornalista soou forte. Ela transmitiu a história em seu programa de rádio.

    As linhas telefônicas foram tomadas por chamadas de ouvintes. Alguns muito zangados pela sua atitude de salvar uma vida. Outros, solidários.

    Três meses depois, a menininha foi entregue à sua nova família: uma professora e um advogado. E ganhou um nome: Better, que, em inglês, significa A melhor.

    Recordemos que um dia, nós mesmos, frágeis, pequeninos, aconchegamo-nos em um útero, rogando a um coração de mulher por vida e por amor.

    E se hoje estamos escrevendo, lendo ou ouvindo este texto é porque nos foi permitido nascer.

    Pensemos nisso.


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