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Parecia uma fera de encomenda.
Quando Nhô Quinca dava a sapituca,
O povo no roçado ou na poruca
Chorava que nem cana na moenda.

Posseava das terras de contenda,
Tomou terra de Adão, terra de Juca,
As terras de Donana de Minduca...
Ele queria o mundo na fazenda.

Vem um velho pedir barro de oca,
Nhô Quinca bate nele na engenhoca
E cai num tacho quente de melado.

Morreu de raiva... E o pobre do Nhô Quinca
Só teve na fazenda da Cainca
Sete palmos de terra do cerrado.

Renova-te! Alguém já disse,
E disse com precisão,
Que rotina é uma empregada
Escravizando o patrão.

- “Pão que sobra é contrabando,” –
Falou Maria Correia –
“Pedaço que está faltando
No prato da casa alheia.”

Caridade indiscutível
Evitar a tentação;
Se a gente guardasse a porta,
Não haveria ladrão.

Provérbio que o povo diz
E a vida atira nos ares:
Serás tanto mais feliz
Quanto menos desejares.


Por: Cornélio Pires, Do Livro: O Espírito de Cornélio Pires, Médium: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira


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