Renascimento Espiritual

    Meus amigos, meus irmãos, Jesus nos abençoe e ilumine.

    Congregados à luz da Clemência divina, vivemos confortador período de luz renovadora, nesta casa de vibrante e pura, consagrada ao espiritualismo com o Divino Mestre.

    Refiro-me, em nome de vários companheiros, às novas edificações que os aprendizes do evangelho em Leopoldina vão concretizando com a inteligência associada ao coração.

    As sementes do cristianismo, jamais perecem. Muita vez, atravessam ciclos seculares no caminho dos povos, parecendo estagnadas e mortas.

    Demoram, em muitas circunstancias, aparentemente raquíticas e anônimas, na senda evolutiva das coletividades, tanto quanto, por vezes, na esfera dos indivíduos. Surge, porém, o instante sublime do renascimento espiritual e a planta celeste germina e cresce na Terra, espalhando flores de esperança e produzindo fruto de paz e amor santificantes.

    Este – o nosso caso.

    Quem viveu o entusiasmo dos primeiros dias continua convosco no trabalho reconstrutivo em bases mais sólidas, pugnando pela materialização mais extensa de nossos ideais.

    Em outro tempo, seduzia-nos o fenômeno que imperava em nossos círculos de crença e discussão filosófica. Pretendíamos talvez atingir objetivos superiores, mergulhados nos ângulos inferiores do serviço.

    Nossas investigações visitavam o campo externo e, à frente do idealismo regenerador que o Espiritismo nos impunha, gastávamos o tempo nas ilações de ordem doutrinária e a hora passou, surpreendendo-nos distraídos.

    O Plano Espiritual aguardou-nos com a verdade imutável. A vida real não se modificava para favorecer-nos com a graça a cuja obtenção não fizéramos jus.

    Entendemos, então, que a abraçada não se constituirá de ornamentos verbalísticos ou de meros títulos pessoais, garantindo-nos ingresso nas assembléias da espiritualidade elevada.

    A Doutrina – reconhecemos – é acima de tudo campo de trabalho e escola dos sentimentos.

    Multiplicamos esforços e dilatamos ações no sentido de acordar os amigos que permaneciam a distancia.

    Como aconteceu ao Rico da Parábola, nós que fôramos abastados senhores do intelectualismo, suplicamos, em vão, a oportunidade de voltar imediatamente à nossa família no ideal, de modo a despertar-vos.

    Outros companheiros de experiência humana classificados entre nós em dias recuados, à conta de mendigos da inteligência, banqueteavam-se à plena luz,mas, embora nosso desejo de voltar precipitadamente à instituição domestica, a fim de anunciar-vos diferentes novas, foi necessário construir recursos e merecer a ocasião de falar-vos mais diretamente.

    De alguns poucos anos a esta parte, nossa foi meta foi abraçada.

    O centro abençoado de nossos estudos retornou ao caminho de verdadeiro amor ao próximo com o Mestre dos Mestres.

    Despertos e compreensivos, nossos companheiros abriram a consciência ao influxo da luz divina.

    Reabilitamos o nosso roteiro de espiritualidade e aqui estamos,meus irmãos, para reafirmar-vos que Espiritismo sem Evangelho sentido e vivido, no santuário íntimo de cada um, pode apresentar admirável movimento de idéias, todavia, sem alicerces de renovação do espírito pára as realidades da vida.

    Mais que nunca, é indispensável atender à nossa , através de prismas diferentes.

    Cessem as indagações despropositadas, sejam atenuados os conflitos da interpretação, diminuam-se as manifestações puramente intelectualistas sem obras sérias da crença dor'>consoladora em nós mesmos e incentive-se, acima de tudo, a iluminação de cada um de nós ao sol imperecível da Revelação Divina.

    Com isto, não pretendemos extinguir o manancial da inteligência.

    Sabedoria e amor são as duas asas da alma para o vôo supremo às Esferas Supremas da Divindade.

    Decretar menosprezo à ciência fora imperdoável loucura.

    Entretanto, urge reconhecer que o nosso campo é tão profundamente rico de dádivas espirituais que o perigo da fascinação e da cegueira assedia a todos aqueles que empreendem a jornada para a Humanidade Redimida.

    Convenhamos, assim, que temos agora nossos passos acertados.

    Caminhai, meus amigos, sob o estandarte de fraternidade, convictos de que Jesus lança sobre nós a sua bênção edificante.

    Não vos descentralizeis, em face da nossa necessidade de concentração em Cristo Jesus.

    Provavelmente, na atualidade, é impossível conhecerdes tudo...

    Sois, como acontece a nós, caminheiros da Vida Eterna, trabalhadores do Verbo,Infinito em Amor e Sabedoria, no campo finito de nossas limitações.

    Dia virá, porém, meus irmãos, em que penetrareis o passado e os imperativos que nos congregam agora, e juntos, marcharemos para o Senhor, entoando novos cânticos de esperança.

    Até lá, meus amigos, prossigamos unidos na e na solidariedade, amando-nos uns aos outros e estendendo nossa dedicação à extensa família humana que o Pai nos conferiu.

    Não vos firam espinhos e pedras da estrada.

    Mais iluminados, sereis mais fortes que os predecessores na senda.

    Um dia, lançamos a boa semente e esquecendo as linhas fundamentais da obra eterna, não reparamos que o cipoal da ilusão nos asfixiava o trabalho...

    Vós, no entanto, sustentados pela luz do Verbo Celestial, recomeçastes a construção do templo de nossa e, amparados uns aos outros, consagrá-lo-emos à glória do eterno no recanto planetário em que tivemos o júbilo de acordar para Deus.

    Que Ele nos ampare a todos, auxiliando-nos a servir em seu nome até a vitória final.


    Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, dirigida a um grupo de amigos, no Centro Espírita “Amor ao Próximo”, em sessão pública de 1º de julho de 1947, em Leopoldina, Minas.


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