Meu filho

    (Versos a um Espírito amado, que foi meu filho em outras reencarnações e que reencontrei, agora, mudo e cego desde o berço em tarefa expiatória, por abusos da inteligência)

    Filho meu de outro tempo, armei-te de ouro e lança,
    Exortei-te a sonhar: “ama, constrói, ensina!...”
    E transformaste o mando em presença assassina;
    Vejo-te a trilha em fogo onde a memória alcança.

    Quis ver-te reencarnado.., O amor jamais descansa.
    E achei-te — águia enjaulada em gaiola mofina —-
    Cego e mudo a esmolar e a gemer em surdina.
    Trazes luto no peito e chagas na lembrança!...

    Chorei ao reencontrar-te em provações supremas...
    Louvo, entanto, meu filho, as ríspidas algemas
    Da dor a nos zurzir, ao redor de teus passos!

    O pranto lavará nossas culpas longevas,
    E, um dia, subirás da humilhação nas trevas
    Para a glória da luz na concha dos meus braços.


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