A Galinha

    Quando nos esforçamos em servir efetivamente na causa espírita, motivados pela alegria de compartilhar nossos idéias e adquirir o benefício do aprendizado prático, muitas vezes vivenciamos situações inusitadas em que nossa perspicácia e nosso entendimento doutrinário, ante o infortúnio alheio que nos solicita, são colocados à prova.
    Conta-nos o prof. Rodrigues Ferreira, do Aeluz de Rio Preto, que certa vez, diante de vários confrades reunidos nos momentos iniciais de mais uma tarefa da casa, apresentou-se uma senhora pobrezinha, muito simples e acanhada, mas com o olhar determinado e confiante, certa de estar no lugar exato em que receberia o seu almejado benefício.
    Ela trazia nas mãos uma galinha.
    Cruzou silenciosamente o recinto, parou com humildade diante do professor e pediu, sem rodeios:
    — Os senhores poderiam dar passe na minha galinha? Ela anda muito doente...
    Todos os olhares alternaram imediatamente da mulher para a galinha e da galinha para o professor.
    E agora?
    Certamente inspirado pelo alto e pelos seus longos anos de convívio com a dor humana, nosso professor, com naturalidade, imediatamente respondeu-lhe:
    — Ah! Minha irmã. A senhora veio ao lugar certo. E dirigindo-se a alguns médiuns passistas à sua volta, pediu-lhes para que se reunissem em torno da mulher e da galinha.
    Compenetrados, todos aplicaram o passe magnético e, em seguida, solicitou para que ela e a galinha se acomodassem e participassem do estudo.
    Finalizados os procedimentos, com muito jeitinho o professor, conduzindo-lhe pelo braço centro adentro, explicou-lhe solícito:
    — Olha, a sua galinha vai melhorar. Mas na semana que vem seria bom que a senhora voltasse aqui ao centro. Não há mais necessidade de trazer a galinha novamente. Traga apenas uma garrafa com água que será fluidificada pelos bons espíritos. Mas, o importante mesmo é que a senhora volte, tá bom?
    E despedindo-se afetuosamente, observou partir aquela sofrida mulher com os olhos radiantes, repleta de consolo e com sua auto-estima em alta, convicta de que Deus não lhe desamparara em sua necessidade.
    Assim, na condição de necessitados, muitos de nós, ao tomarmos conhecimento do espiritismo, também chegamos pela primeira vez na casa espírita carregando a nossa "galinha doente". Ela representa nossas necessidades materiais e espirituais mais básicas, a nossa carência de esclarecimento, nosso imediatismo, toda nossa humana sede de consolo, alívio e entendimento.
    E quando na condição de benfeitores, sinceramente compenetrados em compartilhar os ideais de amor do Cristo, em favor de nossos semelhantes, alcançamos sempre a inspiração segura e certa, para que o bem se realize.
    E sem alarde, pelas bênçãos de Deus e o auxílio dos bons espíritos, as mãos que se estendem em súplica se encontram com as que se estendem em auxílio para que, desse modo, o céu e a terra sempre se aproximem e se toquem, cada vez mais, em delicados e despercebidos elos de luz e fraternidade...


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