Edgard Armond

No dia 29 de novembro, às 4h30, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, o comandante Edgard Armond retornou à pátria espiritual. Estava com 88 anos completos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de Vila Mariana.

Do valoroso companheiro que partiu podemos dizer que por mais de 30 anos o movimento espírita brasileiro viveu impulsionado pelo seu dinamismo. Foi ele que sistematizou o estudo da Doutrina em termos evangélicos e estabeleceu cursos para auxiliar o desenvolvimento de médiuns. Foi, também, pioneiro do movimento de unificação, tendo lançado a idéia de criação da USE — União das Sociedades Espíritas. A Federação Espírita do Estado de São Paulo ganhou vida em suas mãos e, por 30 anos, cresceu sob seus cuidados; em 1973, a Aliança Espírita Evangélica nasceu sob sua inspiração.

Edgard Armond foi, sem dúvida nenhuma, o continuador da obra de Bezerra de Menezes, no tocante à difusão e vivência do Espiritismo em seu aspecto religioso


RESUMO BIOGRÁFICO
Em 1974, o companheiro Jacques André Conchon, então diretor geral da Aliança Espírita Evangélica, recebeu das mãos do comandante Edgard Armond uma seqüência de folhas datilografadas contendo sua autobiografia. E é para esta autobiografia que “O Trevo” abre este mês todas as suas páginas


Identidade
Filho de Henrique Ferreira Armond (de Barbacena) e de Leonor Pereira de Souza Armond (de Formiga), ambos de Minas Gerais.

Nasceu a 14 de junho de 1894, em Guaratinguetá, Estado de São Paulo.

Origem do nome de família

Fidalgos franceses huguenotes, expatriados durante as perseguições religiosas movidas por Catarina de Médicis, na França, a partir da Noite de São Bartolomeu, em Paris, em 1519, e que se estenderam por todo o país até 1582.

Refugiaram-se em Amsterdã, na Holanda, dedicando-se ao comércio, transferindo-se depois para a Ilha da Madeira e dali para o Brasil, em meados de 1700, fixando-se em uma sesmaria de terras recebidas do governo português, entre Juiz de Fora e Barbacena, onde construíram a primitiva Fazenda dos Moinhos.


Ascendentes
Por parte de mãe: comendador Manoel Teixeira de Magalhães Leite, de Formiga, transferido para Guaratinguetá em meados do século passado; e José Antonio Pereira de Souza, médico, falecido em 1904, atualmente dirigindo uma colônia de desencarnados e cooperando na Fraternidade dos Irmãos Humildes, no Plano Espiritual.

Por parte de pai: Honório Augusto Ferreira Armond, Barão de Pitangui — do ramo de Barbacena, e Camilo Maria Ferreira Armond, Conde de Prados — astrônomo e médico de Pedro II, do ramo de Juiz de Fora.

Em Guaratinguetá fez os cursos primário e secundário, transferindo-se para São Paulo em 1912, e no mesmo ano, para o Rio de Janeiro, ingressando no comércio e, ao mesmo tempo, prosseguindo seus estudos.

Em 1914, ao romper a Grande Guerra, voltou para São Paulo e alistou-se na Força Pública do Estado, como praça de pré e, dois anos depois, ingressou na Escola de Oficiais, como1º sargento, saindo aspirante em 1918, casando-se no ano seguinte com Nancy de Menezes, filha do Marechal do Exército Manoel Felix de Menezes.

Comandou destacamento em Santos, São João da Boa Vista e Amparo, fixando-se, por fim, na Capital. Como 2º tenente, organizou e foi nomeado diretor da Biblioteca da Força Pública, sendo, ao mesmo tempo, nomeado professor de História, Geografia e Geometria na referida Escola.

Em 1923 matriculou-se na Escola de Farmácia e Odontologia do Estado, diplomando-se em 1926.

Em 1922 foi um dos chefes, no Estado, da revolução que malogrou no país e que terminou com a rendição do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Como 1º tenente, na revolução de 1924, combateu na Capital (São Paulo) e, em seguida, seguiu para o Paraná e Santa Catarina, até o fim da campanha, permanecendo com a tropa de ocupação nas fronteiras do Paraguai e Argentina, até fins de 1925.

Na Revolução de 1930, como capitão, serviu no Estado Maior, voltando em seguida ao magistério militar na Escola de Oficiais e no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, lecionando administração e legislação militar.

Em 1931 fez estudos e apresentou projeto de construção de uma estrada de rodagem, de Paraibuna a São Sebastião, visando ligar o litoral norte, abandonado e deserto, ao Planalto e ao sul de Minas; não havendo recursos disponíveis, utilizou praças da própria Força, prestes a serem desincorporados; como não se tratava de serviço próprio da corporação, o projeto sofreu grandes embaraços, mas foi, afinal, aprovado, cabendo-lhe a direção pessoal desse empreendimento, sem contar, entretanto, com os indispensáveis recursos materiais. 


Abrindo estrada
Em abril de 1931 iniciou essa construção no Alto da Serra de Caraguatatuba, com 15 soldados e ali trabalhou até o rompimento da revolução constitucionalista de 1932, quando assumiu o comando daquele litoral, das divisas do Estado do Rio até Santos, controlando também o movimento da Esquadra Nacional que mantinha vários vasos de guerra na Ilha de São Sebastião.

Organizou tropas em Paraibuna e Caraguatatuba e comandou-as, logo depois, no sul do Estado, nas cidades de Itaí, Taquari e Avaré e, após a cessação da luta, foi nomeado Chefe de Polícia do Estado, no período de transição que se seguiu, passando em seguida a compor a Casa Militar do governador militar do Estado, General Waldomiro Lima.

Sessenta dias depois pediu demissão da referida função para prosseguir na construção da rodovia a que se propusera, no litoral, que se encontrava apenas iniciada, sendo então nomeado comandante de um Batalhão de Sapadores, criado especialmente para isso, tarefa essa que exerceu até agosto de 1934, quando interrompeu a construção por ordem superior, entregando-a ao DER, órgão competente do governo. Já em fase adiantada e dando, mesmo, trânsito a veículos carroçáveis, de Paraibuna até Caraguatatuba..

Essa iniciativa de caráter mais que particular, realizada com imensos sacrifícios e dificuldades por carência de recursos, antecipou de 40 anos o progresso dessa região, beneficiando as cidades de Paraibuna, Natividade, Salesópolis, Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilha Bela.

Regressando em 1934, assumiu o subcomando da Escola de Oficiais; em seguida organizou a Inspetoria Administrativa da Força e, por conveniência organizativa, fez concurso para o quadro de Administração da Força Pública, sendo classificado como tenente-coronel, na chefia do Serviço de Intendência e Transporte, onde permaneceu até 1938, quando sofreu acidente grave, permanecendo, porém, nessa chefia até 1939, quando foi transferido para o Q.G.; solicitando reforma. Foi julgado inválido para o serviço militar, abandonando o serviço em princípios de 1940.

Nesse último período escreveu: “Tratado de Topografia Ligeira” (dois volumes) e “Guerra Cisplatina” (Discursos).

Após este resumo de atividades profissionais, passamos agora às de natureza espiritual, que são as de maior interesse e que justificam o alinhamento destes dados biográficos.

Em abril de 1938, passando pela praça João Mendes, foi abordado por um negro pedreiro, que lhe fizera, há tempos, um pequeno serviço em casa e que se apresentou dizendo ser freqüentador de um Centro Espírita de Vila Mariana e recebera a incumbência de procurá-lo e transmitir-lhe um recado, segundo o qual, em junho do referido ano, seria vítima de um sério acidente.

Não deu importância ao aviso, mas nesse período de tempo, sofreu dois acidentes de carro, ligeiros, dos quais se livrou sem maiores conseqüências, até que, no dia 28 de junho, dirigindo seu carro oficial, teve um encontro com um caminhão de água da Prefeitura, no Parque D. Pedro II, quebrando os dois joelhos, além de outros ferimentos de menor importância.

No dia seguinte, hospitalizado e ainda em estado de choque, foi procurado por duas pessoas: o motorista do caminhão que vinha pedir sua proteção para não perder o emprego e a sua carta (de habilitação), pedido esse que atendeu; e o pedreiro negro que informava que o que aconteceu fora para poder trabalhar para o Espiritismo.

Após várias cirurgias e tratamentos custosos, ficou quase sem poder andar durante seis meses, passando, em seguida, a usar muletas, com grande redução de movimentos.

Solicitou então reforma do serviço, que foi negada por não ter tempo legal de serviço ativo e poderem ainda ser tentados outros tratamentos. Como insistisse, obteve um ano de afastamento e, em seguida, a reforma solicitada.


Resumo de antecedentes doutrinários
Conhecia bem o espiritualismo em geral.

Em 1910, na cidade natal, iniciou estudos sobre religiões e filosofias, demorando-se mais nos conhecimentos orientais, mais ricos de ensinamentos e de tradições.

Em 1921, comandando na cidade de Amparo, entrou para a Maçonaria, para conhecimento desse setor tradicional, deixando de freqüentá-la alguns anos depois, no grau de mestre.

Regressando à capital, fez contatos pessoais com líderes esoteristas, ocultistas e espíritas, entre outros Krishnamurti, Krum Heler, Jenerajadasa, Raul Silva (sobrinho de Batuíra) e o famoso médium Mirabelli, então em franco destaque no setor de efeitos físicos.

Dessa data até 1935, os acontecimentos políticos do país absorveram-no nas funções militares no Estado e fora dele.

Em 1936 concorreu a formar, a convite de Canuto Abreu, um grupo de estudos e praticagens espirituais, que funcionava na residência do referido Canuto, e do qual faziam parte, além de outros não lembrados, o dr. C.G.S. Shalders e Antonio Carlos Cardoso, ambos diretores da Escola Politécnica, tendo oportunidade de trabalhar com o velho Ramalho, médium de incorporação, e uma só vez com Linda Gazera, célebre por ter sido médium de efeitos físicos na Europa, com Charles Richet e outros investigadores.

Nessa época visitou vários Centros Espíritas particulares, que se dedicavam exclusivamente a trabalhos de efeitos físicos nos arrabaldes da capital, todos animados pelos resultados notáveis obtidos pela família Prado, em Belém do Pará.

Em 1932, trabalhou também com o famoso médium dr. Luiz Parigot de Souza, do Paraná.

Lera, a essa altura, grande parte da literatura espírita e, um domingo à tarde, anos mais tarde (1939), passando pela rua do Carmo, notou aglomeração à porta da Associação das Classes Laboriosas; indagando, soube que ali estava se realizando uma comemoração de Kardec. Entrou e assistiu parte dela, ali vendo e ouvindo alguns líderes espíritas antigos, como, por exemplo, João Batista Pereira, Lameira de Andrade, Américo Montagnini, estando também presente o médium Chico Xavier, que apenas iniciava sua tarefa mediúnica.

Nessa reunião recebeu um livreto intitulado Palavras do Infinito, de Humberto de Campos, contendo mensagens avulsas de entidades desencarnadas, distribuído pela recém-formada Federação Espírita do Estado de São Paulo. Esse opúsculo aumentou fortemente seu interesse pela Doutrina.

Desde o ano anterior, convalescendo do grave acidente, já estava sendo levado a trabalhos de cooperação espírita, ajudando pessoas a preparar palestras e conferências, que o procuravam em casa, na recém-fundada Federação e em outras casas espíritas.

Em 1939, já estando licenciado para reforma do serviço ativo, passou pela rua Maria Paula, para onde a Federação havia se mudado há poucos dias e, vendo à porta uma placa com o letreiro "Casa dos Espíritas do Brasil", entrou, sendo muito bem recebido, no corredor, pelo confrade João dos Santos, e por este apresentado a outros que ali se encontravam, com os quais palestrou algum tempo, sendo em seguida, convidado a colaborar, convite que aceitou. Dias depois, recebeu um memorando assinado por Américo Montagnini, presidente recém-eleito, comunicando haver sido eleito para o cargo de secretário-geral da Federação.


Resumo das atividades na Federação
Com essa eleição imprevista, fechou-se o círculo de sua integração no Espiritismo, sendo o primeiro ato de uma série de árduos e prolongados trabalhos, somente encerrados quando, por moléstia e velhice, retirou-se da Administração da Casa em 1967.

Como a Federação apenas se instalara naquele prédio, adaptado para sua sede própria, nada encontrou organizado ou em funcionamento regular, estando tudo por fazer, em todos os setores. João Batista Pereira, na eleição então realizada, deixara a presidência para Américo Montagnini e na sigla "Casa do Espíritas do Brasil" se fundiram a Sociedade Espírita São Pedro e São Paulo, até então dirigida pelo Dr. Augusto Militão Pacheco, a Sociedade de Metapsíquica de São Paulo, dirigida pelo dr. Shalders (que era um desdobramento do grupo de estudos de 1936) e a própria Federação.

O maior interesse da época, como já foi dito, eram os fenômenos de efeitos físicos, que não existiam na casa, mas eram assistidos em vários lugares fora, para onde os diretores se trasladavam, às vezes em conjunto.

O primeiro contato mediúnico na Casa foi com o auxílio da médium particular Sra. N. A., esposa de um tabelião da capital, e foi por ela que dr. Bezerra (na ocasião assumindo a direção espiritual da Casa) transmitiu a frase conhecida: "No mundo, o Brasil; no Brasil, esta terra que tem o nome do grande apóstolo; e aqui, esta nossa casa, que será um farol a iluminar a Humanidade".

Naqueles primeiros dias, predominavam por toda parte os efeitos físicos e era marcante a falta de médiuns de confiança para o intercâmbio com o Plano Espiritual Superior; atendendo a um pedido, o Espírito Bezerra de Menezes prometeu sanar a lacuna; passados poucos meses, apareceu na Casa um rapaz moreno escuro, que se dizia graxeiro da Sorocabana, em Assis, e médium de incorporação. Submetido a uma prova, satisfez plenamente. Chamava-se Ary Casadio e ficou combinada sua mudança para a capital, sob a proteção da Casa, onde ficou alojado. Mais tarde, trouxe esposa e filhos pequenos e se dedicou inteiramente aos trabalhos da Casa, prestando durante longo tempo ótimos serviços, tanto internos como externos, em ocasiões solenes e em trabalhos práticos, inclusive depois dos congressos de unificação realizados a partir de 1947, acompanhando, inclusive, como médium, a Caravana da Solidariedade, que viajou por vários estados do País, na propaganda da unificação doutrinária.

Para melhorar as condições da família, arranjou-se-lhe um emprego no Tribunal de Justiça, como escrevente; bem mais tarde formou-se em Direito e abandonou o serviço por conveniência familiar, mudando-se para Osasco.

Essa carência inicial de médiuns já levara antes à formação do Grupo Razin, com sete membros, com o que o intercâmbio melhorou grandemente. Eis os nomes de seus membros primitivos, além do comandante: Raul de Almeida Pereira, funcionário do IBC, médium de incorporação, vidência e audição; José Quintais, mais tarde funcionário do departamento de projetos da Indústria Villares: vidência, audição, psicografia e desenho mediúnico; Rubens Fortes, oficial reformado do Exército: incorporação consciente; Altair Branco, engenheiro; Luiz Verri, cabeleireiro de senhoras: vidência e audição; Paulo Vergueiro Lopes de Leão, pintor, diretor da Escola de Belas Artes.

O Grupo funcionou bem até 1950, data em que foi dissolvido por não haver concordado com a criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, exceto dois membros: Paulo Vergueiro e Carlos Jordão, que fora convidado e passou a fazer parte do Grupo nos últimos dois anos.

Durante suas reuniões, duas coisas importantes aconteceram: 1) Manifestou-se pela primeira vez a entidade feminina designada pelo nome de "Castelã", que a partir de então, dispensou ao Grupo valiosíssima colaboração e 12 anos mais tarde, em 1953, pelo médium Divaldo, se identificou como protetora pessoal do comandante, tendo sido, na Itália papal, rainha de Nápoles, em 1481, como Margarida de Médicis. 2) Em uma de suas reuniões, em 1941, surgiu de improviso um médium desconhecido, jovem, que se dizia médico e se chama Élio.

Sua trajetória foi rápida porém proveitosa. Acercou-se da reunião, no saguão do salão superior, sentou-se ao lado do comandante, ouviu durante alguns momentos uma mensagem que estava sendo transmitida e interrompeu o trabalho, convocando o comandante para uma reunião urgente. Atendendo ao solicitado, a reunião foi decidida e feita na Escola de Belas Artes, à rua Onze de Agosto, onde não haveria interrupções; acompanharam o comandante o engenheiro Altair, Luiz Verri, Lopes de Leão, diretor da Escola, e o médium.

Foi nesta imprevista reunião que foram feitos os primeiros contatos com Ismael, o preposto de Jesus para a condução espiritual do Brasil, o qual, incorporado no referido médium e sob controle do vidente Verri, transmitiu suas primeiras instruções ao comandante, investindo-o na tarefa de dirigir a Federação, estabelecendo a prevalência do Espiritismo Evangélico e construindo, oportunamente, as bases para o êxito desse transcendente empreendimento espiritual.

E como o comandante alegasse que isso era tarefa não para um, mas para muitos, Ismael respondeu dizendo: "Você foi o escolhido e aqui será o chefe; e terá todo nosso apoio enquanto for fiel ao programa que estabelecemos, com toda liberdade para realizá-lo".

O comandante ponderou mais uma vez que estava apenas iniciando a organização da Casa, estando quase que só, ao que Ismael respondeu, abrindo os braços e mostrando ao vidente uma vasta planície a perder-se no horizonte e toda tomada por guerreiros vestidos de armaduras antigas, cobertos de capacetes brilhantes: “Não estarás só; terás o apoio de todos”; e repetindo energicamente a frase e entregando-lhe um montante luminoso (espada antiga manejada com as duas mãos): "Aqui serás o chefe e esta é a espada do comando".

E rematou a entrevista dizendo: “Para te auxiliar nos primeiros dias como conselheiros e elementos de ligação conosco, colocaremos junto a ti três companheiros valorosos. Este, disse apontando o primeiro deles, chamarás Lorenense; este, mostrando o segundo, chamarás Lusitano; e este, apontando o terceiro, chamarás Britânico”.

Nota:
Tanto a multidão de guerreiros co­­mo ao auxiliares apontados pertenciam à Fraternidade dos Cruzados. Os dois primeiros se afastaram logo após a formação do primeiro Conselho da Federação e o último, cujo verdadeiro nome era Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra e comandante da terceira cruzada histórica, permanece no posto até hoje, sendo na Federação conhecido simplesmente como Ricardo.

Essa designação do Alto foi confirmada, a partir desse dia, várias vezes, em quase todos os trabalhos da Federação e o comandante deu conhecimento dela à diretoria da Federação e vários auxiliares, na própria ocasião tendo recebido sempre o mais completo apoio de todos os companheiros. 


Formação do Conselho
Com este precioso auxílio, que era dado quando necessário ou quando pedido, em reuniões reservadas, inclusive com membros da diretoria representada pelo companheiro Montagnini, a organização da Federação caminhou rapidamente, até a formação do Conselho, em 1941, cuja constituição foi outro ato dramático das atividades iniciais da Casa.

Para essa formação, eram organizadas listas de nomes, que eram submetidas aos assessores em reuniões especiais e ali se examinava a identidade pessoal e as possibilidades de colaboração de cada um, como engenheiros, médicos, magistrados, professores, industriais, militares etc.

A lista era metida na gaveta da secretaria e, no dia seguinte, os escolhidos eram confirmados com uma cruz, e os confirmados iam sendo convocados para uma reunião importante no dia 23 de setembro; na convocação, o comandante assinava como coordenador e dizia que se tratava de importante acontecimento espiritual, do qual os convocados seriam participantes, caso o desejassem.

No dia aprazado, cheios de curiosidade, mas reservados e em silêncio, todos compareceram e o programa foi iniciado da seguinte forma: O comandante, presidente da reunião, tomou a palavra e explicou que a importância do acontecimento era toda espiritual, não estava em coisas exteriores, mas nas conseqüências espirituais que decorriam dela, pelo trabalho a realizar; nada havia de sobrenatural, nem se tratava de promoção de fenômenos físicos, tão em voga naqueles dias, mas sim da abertura de um período histórico-religioso, para maiores realizações de orientação espiritual para o nosso país; com a formação de um Conselho destinado a fornecer e consolidar uma mentalidade verdadeiramente cristã, em todas as suas formas e conseqüências benéficas para as almas humanas.

Nota:
Tudo foi planejado e executado nestes termos, para se poder medir, desde o princípio, a sinceridade e a disposição íntima dos elementos convocados.

Quando parou de falar, era visível um certo desagrado entre os presentes, que se mantinham em expectativa e em silêncio.

Foi anunciada, então, a segunda parte do programa: o dr. Pacheco, veterano dirigente e lutador espírita, assumiria a presidência da reunião, devendo ler e interpretar um texto evangélico à sua escolha, enquanto o comandante, acompanhado de um secretário e um médium de confiança (no caso d. Nair Ferreira), se retirariam para o saguão ao lado, para receber do Plano Espiritual o que fosse do seu agrado ou conveniência transmitir aos presentes.

O secretário escalado foi o dr. Lopes Leão, também escolhido, e escreveu a mensagem dada por Bezerra, na qual este apelava para a boa vontade dos presentes e se referia, em imagens estimuladoras, aos grandiosos trabalhos a realizar, no presente e no futuro, para o bem da humanidade e que exigiam a formação de um Conselho altamente credenciado.

Voltando ao salão, o comandante reassumiu a presidência e mandou o secretário ler a mensagem recebida, finda a qual se iniciou, entre os presentes (não todos), uma troca de exclamações de estranheza, por se limitar a reunião a tão pouco, como diziam, quando esperavam tanto e tão diferente do que estava acontecendo, não havendo nem mesmo algum plano de realizações a ser conhecido, examinado e discutido.

Nesse momento, o médium desconhecido, que, sem ser notado, estava assentado entre os presentes, se levantou em transe e, em voz clara e forte, declarou: “O comandante tem no bolso interno do seu paletó um plano de realizações para ser discutido e votado.”

Levando a mão ao bolso interno, o comandante verificou que realmente ali estava um ligeiro esboço que fizera antes, das primeiras atividades e realizações administrativas após a posse do Conselho e prontificou-se a expô-lo; mas as discussões continuaram, crescendo de vulto, havendo mesmo exclamações em voz alta, de evidente desagrado.

Percebendo o perigo de infiltrações negativas, e para dominar o vozerio, o comandante bateu na mesa, fortemente, e à sua vez, exclamou: “Apelo para o Espírito”, findo o que se sentou em silêncio, concentrando-se.

Então, o mesmo médium desconhecido levantou-se de seu lugar, sempre mediunizado, e firme, ereto, olhos fechados, passando rapidamente por entre as cadeiras, chegou até à mesa de direção e sobre ela abateu-se com violência, de bruços e, nessa posição, com voz forte e enérgica, dirigiu-se novamente aos presentes, dizendo, em resumo, três coisas principais:

1) Depois de tudo o quanto foi dito, ninguém pode ignorar as finalidades desta convocação e o oferecimento que se fez, de oportunidades felizes de servirem a humanidade, testemunhando o Evangelho do Divino Mestre Jesus Cristo.

2) Na situação atual do mundo, que tende a se agravar, esta oportunidade é dádiva preciosa que não deve ser amesquinhada.

3) Se não lhes bastam o que foi oferecido, que usem do seu livre-arbítrio, para aceitar ou recusar. Se não vos bastam, para agir, a espada da fé e o escudo do Evangelho, deixem a carga já, para que permaneçam somente os possuidores de boa vontade, dispostos a colaborar nesse empreendimento de amor e redenção dos nossos semelhantes.”

Fez-se fundo silêncio, dentro do qual o comandante perguntou se alguém desejava usar da palavra e, ninguém se manifestando, declarou que esperava a decisão final de cada um em uma nova reunião, que convocava para daí a cinco dias, à mesma hora e local; e, pronunciando a prece de encerramento, declarou terminada a reunião.

Na sala da secretaria geral, onde muitos se congregaram em seguida, o confrade Pacheco o abraçou, lastimando não ter podido deixar de ser pedra de tropeço, ao que o comandante respondeu que, muito ao contrário, sua colaboração fora útil porque iria ajudar a selecionar, com mais facilidade e segurança, os membros do futuro Conselho.

Na próxima reunião, a 28 de setembro, compareceram dois terços dos primeiros convocados; foi-lhes tomado o compromisso, ante Jesus, de se dedicarem, daí por diante, devotadamente, ao engrandecimento da Federação e do Espiritismo em nosso País. Foram empossados e tomaram conhecimento mais detalhado da organização da Casa e do preparo da gestão administrativa que se iniciava.

Nota:
Esse primeiro conselho chamado de Orientação, a partir de 1944 passou a ser Deliberativo.


Organização da casa
Feito isso, prosseguiram os trabalhos organizativos com a elaboração das primeiras instruções e publicações:

Contribuições ao Estudo da Mediunidade (1942)

Mediunidade de Prova (1943)

Desenvolvimento Mediúnico (maio de 1944)

Missão Social dos Médiuns (junho de 1944)

Esses livretos foram reunidos em um tratado, em 1947(*), com novas bases para o ensino e pratica da mediunidade.

Em 1950 foi publicado um livreto sobre “Passes e Radiações”, visando a novas diretrizes para os trabalhos iniciais de curas, além de vários outros opúsculos e livros, todos destinados ao mesmo fim, no terreno didático, visando à criação de cursos e escolas especializadas, as primeiras medidas tomadas nesse sentido desde a Codificação e que deveriam mudar a feição e o rumo do Espiritismo em nosso Estado, em termos decididamente evangélicos.

Estabilizando-se assim a administração e o funcionamento da Casa, a Secretaria Geral propôs a dissolução do consórcio existente desde 1939, sob o título “Casa dos Espíritas do Brasil”, devendo-se, daí em diante, usar unicamente o nome de Federação Espírita; isso foi feito mediante entendimentos com as diretorias da Sociedade de Metapsíquica e da Associação São Pedro e São Paulo, tendo sido a proposta aceita e executada.

Como conseqüência, a Sociedade de Metapsíquica passou a formar um departamento da Casa com o mesmo nome de Metapsíquico, cujo funcionamento e aparelhagem ficou, inicialmente, a cargo da própria Secretaria Geral, passando a funcionar regularmente em trabalhos de efeitos físicos, considerando-se a conveniência de ainda se conservar esse setor em atividade, para atrair para a Federação numerosos elementos da sociedade interessados nele.

Mais tarde a direção foi transferida para o dr. Shalders, que o exerceu até quando essas atividades foram julgadas dispensáveis, passando-se, em seguida, a utilizar efeitos físicos unicamente em trabalhos de cura espiritual.

Em março de 1944 a Secretaria Geral apresentou projeto de criação de um jornal, sob o título de O Semeador para a difusão das novas diretrizes e movimento geral da Casa.


Nota:
Nesse jornal, o Comandante, até fevereiro de 1972, publicou 425 artigos de colaboração contínua.

O registro do jornal foi feito em nome dele mesmo e não no da Federação, por exigência do Estado Novo revolucionário, e funcionou sob responsabilidade da confreira Marta Cajado de Oliveira, durante alguns meses, prosseguindo a partir daí, até 1967, sob sua própria responsabilidade, quando deixou a função administrativa da Casa, por moléstia.

Nos primeiros tempos foi ele obrigado a usar vários pseudônimos para vencer as dificuldades da colaboração escassa, e garantir a saída regular do jornal, regularidade que, aliás, tem sido mantida rigorosamente até a presente data, graças à excelente direção do confrade Paulo Alves de Godoy.

O primeiro cabeçalho foi desenhado por José Quintais, do antigo Grupo Razin, e, mais tarde, ligeiramente alterado por Joaquim Alves.

Além do jornal, para incrementar a difusão da Doutrina e prestigiar a Federação, propôs a criação de uma hora espírita, que foi contratada com a Rádio Tupi, aos domingos, e dirigida pelo confrade João Rodrigues Montemor.

Para a tribuna da Casa eram trazidos oradores espíritas de renome, da capital e de fora, custeando-se as despesas, como também se convidavam líderes de outras religiões e filosofias, para dar à Casa, desde início, caráter liberal e fraterno, de um Espiritismo racional e universalista, o que redundou em grande prestígio público para o Espiritismo em geral.

As conferências públicas da manhã e noite dos domingos atraíam grande assistência, e os programas eram publicados previamente em jornais de larga circulação; as da manhã eram de responsabilidade do saudoso confrade Pedro de Camargo — Vinícius — e as da noite, em rodízio entre os confrades Américo Montagnini, Godoy Paiva e outros.

O Departamento Federativo foi desenvolvido amplamente e a secretaria geral convidava mensalmente os centros, em rodízio, para reuniões conjuntas e festivais na Federação, visando à fraternização e à sociabilização coletiva, e vários confrades dedicaram a ele seus esforços.


Os congressos
Em 1947, para unir a família espírita do Estado e unificar as práticas doutrinárias, a Secretaria propôs um largo plano de ação que, através de uma comissão composta de três membros, incluindo os confrades Luiz Monteiro de Barros e Vergueiro, foi submetido às quatro maiores entidades espíritas da Capital e em todos os detalhes prontamente aprovado. Propôs também a criação da USE — União Social Espírita, entidade unificadora, sob legenda, e foi efetivada a unificação na quase totalidade e convocado para esta capital o 1º Congresso de Unificação Estadual, que reuniu na Federação a quase totalidade das instituições espíritas do estado, fazendo-se, ainda, um recenseamento geral dos espíritas, que acusou um total de 700.000 adeptos, incluindo grupos particulares de existência regular. Tudo foi feito quase sem despesas, com a colaboração espontânea de todos, dando assim a Federação um notável exemplo de dinamismo e eficiência e sendo a Doutrina bastante divulgada, com ampla publicidade no Estado e fora dele, passando a Casa a exercer, desde então, destacada e incontestável liderança no Estado e entre as congêneres do país.

Desenvolvendo a iniciativa, a Secretaria propôs também a convocação de um Congresso Nacional, a reunir-se também aqui em São Paulo que, da mesma forma, teve grande êxito e com o qual se recusou a FEB a colaborar e reconhecer, mas que teve grande influência no setor nacional, com a criação, a posteriori, na área da referida FEB, do Conselho Federativo Nacional, cujas atividades têm sido, desde então, mais que tudo burocráticas.

No livro intitulado Anais do Primeiro Congresso Espírita do Estado de São Paulo, editado na ocasião, encontra-se a descrição pormenorizada e completa dessa iniciativa histórica do Movimento Espírita em nosso Estado, realizado pela Federação.

Terminados os Congressos de unificação estadual e nacional, como não convinha ao comandante permanecer na presidência da antiga USE para não prejudicar a administração da Federação, aconselhou aos companheiros da antiga diretoria que não concorressem à renovação dos cargos em nova eleição, para que a legenda tivesse liberdade de ação e agisse por si mesma no prosseguimento de sua importante tarefa. Mas, infelizmente, nem todos se afastaram e a nova diretoria, que então se formou, caminhou em sentido diferente, transformando-se a legenda transitória em entidade competitiva com as Patrocinadoras da iniciativa. Isso foi um erro grave, que redundou, senão em fracasso, pelo menos em grande retardamento da unificação por mais de 25 anos, tentando-se novamente nestes dias a malograda realização.

Não obstante essa alteração de rumos e de princípios organizativos, a Federação jamais regateou auxílio à nova entidade, que passou a se chamar União das Sociedades Espíritas e até hoje o faz, como é do conhecimento geral.

Em 1953, a Secretaria Geral concorreu grandemente à promoção, no Rio de Janeiro, de uma enquete em vários jornais, entre outros assuntos, sobre Espiritismo e Umbanda, após uma série de artigos publicados no Semeador, pelo comandante, visando esclarecer o público sobre as diferenças entre uma e outra dessas duas correntes religiosas e eliminar confusões e interferências de Umbanda nos Centros Espíritas, tornando assim o problema melhor ventilado em público e conhecido, igualmente, pelas autoridades públicas e culturais do País. Nessa enquete manifestaram-se vários representantes do Espiritismo e da Umbanda.


Aprendizes do Evangelho
Para situar o Espiritismo à vontade em relação aos conhecimentos e tradições religiosas da humanidade, duas coisas foram também realizadas com desassombro: uma, no campo externo — a publicação de vários livros de formação cultural-doutrinária, como Os Exilados da Capela (1949) e Na Cortina do Tempo (1962), mostrando os albores das civilizações primitivas, seu intercâmbio com outros orbes, assuntos estes que, atualmente, estão sendo afoitamente tratados em obras “best-sellers” por escritores estrangeiros de nomeada; e no campo interno, no cumprimento do programa do Alto, se criou a Escola de Aprendizes do Evangelho (1950), órgão primeiro de uma Iniciação Espírita de larga esfera de ação, com base no Evangelho Cristão; e uma série de 21 livros didáticos, parte deles para uso na referida Escola e parte para a Fraternidade dos Discípulos de Jesus, termo global da Iniciação referida.

Nessa Iniciação foram oferecidos conhecimentos espirituais mais amplos, com predominância do que foi estabelecido para a reforma íntima dos adeptos, base insubstituível da evangelização, a seu turno condição fundamental da redenção espiritual do homem encarnado.

No planejamento dessa Iniciação surgiram dificuldades no processo a adotar para se conseguir executar a reforma íntima, valendo-se por fim, o comandante, da caderneta pessoal usada pelos antigos essênios do tempo de Jesus, descrita no livro Harpas Eternas de Hilarion do Monte Nebo, contemporâneo e servidor de Jesus naqueles tempos, livro esse que lhe foi enviado da Argentina, pelo autor, antes do lançamento; com algumas alterações e adaptações, o sistema foi adotado com excelentes resultados.

Na criação dessa Iniciação tinha-se também em vista unir os adeptos por uma mística religiosa cristã, visando à redenção espiritual de cada um, convenientemente adequada à mentalidade moderna e à racionalidade da Doutrina Espírita, o que até o presente tem sido êxito indiscutível na Federação(*), mas prejudicado fora dela devido, de uma parte, aos temores de se lançarem os dirigentes, desassombradamen­te, à expansão e, de outra, à negligência existente entre os espíritas do sexo masculino em relação à evangelização, objetiva e deliberadamente conduzida, sendo esse, em grande parte, um dos motivos do retardamento da expansão do Espiritismo em nosso País.


Assistência social
O Departamento de Assistência Social nasceu e iniciou seu desenvolvimento na própria sede, dirigido inicialmente por um pequeno grupo de senhoras e moças que, ao depois, criaram e mantém até agora, com grande êxito, a instituição de assistência infantil denominada “Nosso Lar”; passaram por ele vários confrades que, infelizmente, não permaneceram, sendo necessário, periodicamente, que a própria secretaria geral avocasse a direção; isso, até que o Departamento pudesse ser entregue ao valoroso confrade José Gonçalves Pereira e mudado para a rua Santo Amaro, em prédio interditado pela Prefeitura e adquirido para uso precário durante vários anos e, mais tarde, adquirido também o terreno ao lado, onde se edifica hoje em dia a nova sede da Federação.

Sob a direção do confrade Gonçalves, o departamento se desenvolveu amplamente, mas esse desenvolvimento exigia sua mudança para local fora do centro da cidade, o que foi conseguido com obtenção de um comodato a longo prazo, concedido pelo governo Jânio Quadros, com auxílio direto da Secretaria Geral junto ao major Pina de Figueiredo, genro do comandante, resultando daí a Casa Transitória, que é hoje motivo de satisfação e orgulho realizador para todos da Federação.

O período que vai de 1950 a 1965 foi marcado por atividades multiformes, aprimoramento de trabalhos práticos, desenvolvimento da consolidação da organização montada de início e que comporta ainda amplos desdobramentos, sem alterações de sua estrutura original; como também grande impulso dado à difusão por vários meios, inclusive pela publicação de várias obras didáticas, litero-doutrinárias e opúsculos de bolso, escritos para ampla distribuição no meio popular, de cujo trabalho não se pode esquecer a colaboração preciosa prestada pelo confrade Coutinho, ex-diretor do Departamento de Assistência Espiritual da Federação.


Epílogo
Ao adoecer, em fins de 1965, o Comandante, mesmo assim, prosseguiu colaborando oficialmente, ainda por dois anos, até as eleições de 1967, quando solicitou seu afastamento definitivo, por ver que a moléstia era de curso demorado, pedindo também dispensa dos serviços do Conselho, por não poder assumir compromissos de assíduo cumprimento.

Dedica-se, desde então, e enquanto lhe for ainda possível, a colaborar, a distância, no setor da publicidade, da organização de centros e organizações espíritas, atuando na difusão evangélica e sua expansão, inclusive em países estrangeiros.

Ao se retirar, deixou sem efetivação dois problemas pelos quais sempre se bateu: a construção da nova sede, para melhor instalação de cursos, escolas e serviços de administração, para o que, deixou em mãos da DE um esboço de construção em quatro andares, com escada externa, para os casos de incêndio, e um esboço, também de unificação doutrinária, atualmente em pleno curso com projeto diferente.

E agora, atendendo à solicitação, oferece esta biografia-relatório resumido, único meio adequado ao caso, pelo estreito entrosamento de sua modesta pessoa aos acontecimentos da vida material e espiritual da Federação.

E, antes de encerrar, convém ainda dizer que, desde o início, o trabalho realizado foi de equipe conduzida por um chefe espiritualmente responsável, e o êxito obtido foi resultado do ideal evangélico, adquirido em grande parte na Escola de Aprendizes, que se conseguiu implantar na mente e no coração de cada trabalhador que, aliás, demonstraram todos, com raras exceções, magnificamente dotados de inegável capacidade realizadora; e os nomes individualmente citados não representam distinções, mas circunstâncias de ordem funcional.


A síntese espiritual do que foi narrado é, pois, a seguinte:
1910 a 1926 — No Rio de Janeiro e São Paulo: estudos especiais de filosofia e religião.

1926 a 1938 — Primeiros contatos e estudos teóricos de Espiritismo.

1940 a 1965 — Organização e direção efetiva da Federação.

1965 a 1967 — Colaboração a distância sem compromissos de subordinação administrativa ou funcional.

1967 em diante — Colaboração livre e reduzida em várias atividades doutrinárias, de interesse geral do Espiritismo no estado, no País e no Estrangeiro.


Nota do comandante:
Como estes dados são fornecidos quase sempre de memória, é possível que haja discrepância aqui ou ali, sobretudo na cronologia dos fatos, o que, todavia, serão de fácil retificação.


Nota da Editora:
A partir de 1970, passa a orientar as atividades de companheiros impulsionados ao trabalho evangélico nos moldes originalmente determinados pelo Plano Espiritual Superior na década de 1950. Em uma reunião em sua residência, em 4 de dezembro de 1973, estes companheiros fundaram a Aliança Espírita Evangélica, com a proposta de expandir, através da atuação dos Centros Espíritas Integrados a este programa, a expressão do aspecto religioso do Espiritismo.

Durante os primeiros anos de organização da Aliança, o comandante supervisionou a produção de novas obras editoriais, tanto para uso das Escolas de Aprendizes nos Grupos Integrados, que rapidamente se multiplicavam, como para formar o catálogo editorial da então nascente Editora Aliança.

Graças a este vigoroso impulso, bem como sua serenidade e experiência no trabalho espírita evangélico, a Aliança cresceu e se expandiu, tornando-se mais uma referência em termos de trabalhos doutrinários em nosso País.

A partir de 1980 o comandante também assessorou a formação do Setor III da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, que reúne diversos grupos espíritas, igualmente vinculados à tarefa de expansão do Espiritismo Religioso através da imensa capacidade renovadora de consciências e corações constituída pela Escola de Aprendizes do Evangelho.

Retornando aos pensamentos apresentados no início, concluímos que, para Armond, a grande Transição para a Vida Maior provavelmente significou tão somente a continuidade de uma extensa folha de serviços ao Divino Mestre, pois o comandante permanece em plena atividade no trabalho redentor.

Reprodução de O Trevo, nº 106, de dezembro de 1982.
Extraído do site: espiritismogi.com.br

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