Benedito de São Filadelfo

Este é o nome com que é denominado São Benedito, nos livros litúrgicos. Os franceses, no entanto, a fim de distinguir São Benedito de São Bento, pois que ambos tem o mesmo nome em sua língua, Benoît, passaram a chamar São Benedito de Benedito, o mouro. 
O que se sabe é que Benedito nasceu perto de Messina, na ilha da Sicília, ao sul da Itália, no ano de 1526. Era filho de um casal escravo africano, que foi comprado por uma família siciliana, chamada Manasseri. 
Benedito significa bendito, abençoado. Por ter sido o primeiro filho do casal, conforme promessa do patrão, nasceu livre. Não teve escola senão o lar e a Igreja. Foi pastor, ajudando o pai no cuidado dos rebanhos do patrão. Logo que as primeiras economias lhe permitiram, ele comprou uma junta de bois e se dispôs a lavrar a terra, vivendo nessa labuta até os 21 anos, com as tristezas e alegrias próprias dos agricultores, que dependem do sol, da chuva e dos ventos. 
Nessa idade, um monge eremita chamado Jerônimo Lanza o convidou a compor a comunidade dos Irmãos Eremitas Franciscanos. Professou seus votos solenes, 5 anos depois e as regras rígidas do Convento não o perturbavam. Bastava-lhe uma refeição pobre por dia e o chão duro para dormir. 
Como o povoado ficava próximo ao Convento, muita gente vinha pedir bênçãos aos frades e logo se espalhou que Frei Benedito produzia milagres. Levas e mais levas de pessoas passaram a bater à porta do Eremitério sem parar, o que motivou que os frades tomassem a decisão de se transferir para o vale de Nazana, depois para Mancusa, sempre se repetindo a situação. Todos queriam conhecer aquele homem extraordinário a quem Deus dera o dom de curar. Doentes chegavam em macas e carroças e o local se tornou centro de romaria. 
Em 1562, com a morte de Jerônimo Lanza, a comunidade foi dissolvida, por ordem do Papa Júlio III. Benedito estava com 36 anos e optou por procurar o Convento Franciscano de Santa Maria de Jesus, a poucos quilômetros de Palermo. Sua fama de santo já o havia precedido e como a violeta que deseja expandir seu perfume, ocultando-se entre as folhas abundantes, Benedito desejava esconder-se dos olhos e da admiração do mundo, mas não obteve êxito. 
Por ser um religioso leigo, foi designado para a cozinha do Convento. Fatos estranhos, diziam, acontecia na cozinha. Comentava-se que jovens de grande beleza eram vistos mexendo para lá e para cá na cozinha, enquanto Frei Benedito, por vezes, se demorava a orar na Igreja. 
Foi em 1578, portanto nos seus 52 anos de idade, que ele foi nomeado Guardião do Convento de Santa Maria de Jesus. Guardião é o título do Superior dos conventos franciscanos, normalmente, cargo confiado somente aos sacerdotes. 
Possivelmente, devem ter descoberto em Benedito qualidades de dirigente, pois além de ser um religioso leigo, era analfabeto. Ele chegou a pedir sua renúncia à designação, mas não foi aceita e durante 3 anos ele ficou no cargo. Como Superior, presidia todas as reuniões da comunidade, as orações comunitárias, dava ou negava licenças pedidas e recebia contas de todos os gastos extras. 
A ordem para o porteiro do Convento, durante a sua administração, era clara: nenhum pobre sem atendimento. Nenhum mendigo devia ser despachado sem ajuda. 
E, certa vez, ao distribuir pão aos pobres, o porteiro, Irmão Vito da Girgenti, percebeu que a fila era enorme e na cesta os pães estavam por acabar. Decidiu encerrar a distribuição e despachou os demais pobres. Benedito, ao saber, ordenou que todos fossem chamados de volta e que os pães restantes fossem distribuídos. A Providência Divina, afirmou, acharia um meio de os socorrer. 
Para espanto e alegria do porteiro, os pães não somente foram suficientes para todos os necessitados, como sobraram na cesta exatamente os necessários para atender aos religiosos. 
A Benedito é atribuída sabedoria ao ponto de, sem ser sacerdote, auxiliar na formação religiosa dos noviços. Quem assistisse a uma das suas exposições, guardava a convicção de que estava ouvindo um grande teólogo. 
Teólogos de renome, ouvindo falar daquele prodígio, vinham elucidar dúvidas e voltavam para casa plenamente convencidos de que uma inspiração divina tomava conta do religioso leigo. 
A portaria do Convento vivia cheia de gente que procurava Benedito: uns queriam conselhos, outros, o retorno da saúde. Alguns, somente desejavam apertar sua mão, conhecê-lo. 
Os angustiados, aflitos e desesperados voltavam tranqüilos, consolados e alegres por terem recuperado o rumo de sua vidas, após a palavra do frade. 
Seus dias eram tão cheios de trabalho para o povo, a cozinha, a enxada, a vassoura que a noite o encontrava exausto. No entanto, doces visões espirituais povoavam seu descanso. 
Fenômenos mediúnicos como o da levitação e o êxtase ocorriam quando ele se punha a orar. O povo, por não entender o que acontecia, tudo reportava à conta de milagre e se aglomerava para ver o frade, à frente de uma procissão, deslizando, acima do solo. 
Com o corpo alquebrado pelos trabalhos e sofrimentos da vida, aos 63 anos, Benedito adoeceu. Em fevereiro de 1589 caiu de cama e a doença foi relativamente rápida: dois meses. 
No dia 4 de abril, assentou-se na cama e começou a orar, entre visões de espíritos. Ao pronunciar: "Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito", rogativa habitual nos ofícios noturnos do Convento, deitou-se, fechou os olhos e deu o último suspiro. 
Dos seus 63 anos, foram 42 dedicados ao bem. O corpo foi velado por poucas horas e enterrado no cemitério do Convento. Não se espalhou a notícia de sua morte, senão depois de sepultado, pois, acredita-se que os frades temessem a multidão que iria comparecer. 
Mas, quando o povo soube, compareceu em peso ao túmulo e as visitas numerosas durante até agosto. Dois anos depois, porque a peregrinação prosseguisse ainda intensa, o corpo foi trasladado para a sacristia da Igreja de Santa Maria de Jesus, erguendo-se, mais tarde, uma capela lateral, porque a grande movimentação de pessoas, atrapalhava a realização dos cultos religiosos. 
O papa Clemente XIII o beatificou em 1763 e o Papa Pio VII o canonizou em 1807. 
Em O Livro dos Médiuns, cap. XXXI, item V, assinando-se São Benedito, escreve: " É bela e santa a vossa Doutrina. (...) A estrada que vos está aberta é grande e majestosa. Feliz daquele que chegar ao porto.(...)"


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