Virtude Solitária

    Há quem deseje tranqüilidade ideal na Terra, com a pretensão de fugir ao erro.

    Casa branca no aclive da serra, com o vale rente.

    Fontes claras, correndo perto, e jardim florido.

    Clima doce e perfume da natureza.

    Nenhum aborrecimento.

    Nenhum cuidado.

    Falta alguma.

    Problema algum.

    Solidão saborosa em que o morador consiga estirar-se, inerte, em poltronas e redes.

    No entanto, é no trato da luta que as forças se enrijam e as qualidades se aperfeiçoam.

    Considerando-se que o mal é a experiência inferior nos quadros da experiência mais nobre, é nos serviço do amparo mútuo e da tolerância recíproca que havemos de transformá-lo em bem duradouro, como se tomássemos as nossas próprias sombras de ontem para convertê-las na luz de hoje.

    Livres, estamos interligados perante a Lei, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a Lei, para anular o pior que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas.

    Ninguém progride sem alguém.

    Abençoemos, assim, as provações que nos abençoam.

    Trabalho é ascensão.

    Dor é burilamento.

    Toda adversidade avisa, todo sofrimento instrui, todo pranto lava, toda dificuldade e toda crise seleciona.

    Virtude solitária é pão na vitrine.

    Competência no palanque é usura da alma.

    Todos somos alunos na escola da vida.

    E ninguém consegue aprender sem dar a lição.


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