Lema da Felicidade

    Alma querida, escuta
    Quando a tribulação te agrave a luta,
    Flagelando-te o ser
    Tanto quanto desejas elevar-te,
    Recorda a Lei de Deus, em toda parte:
    - Trabalhar e esquecer.

    Não te agrilhoes a nuvens do passado,
    Nem te aflijas pensando no porvir,
    De esperança a bilhar no coração contente,
    Renova-te e confia alegremente
    No privilégio de servir.

    Contempla, dos caminhos em que pousas,
    No amálgama das vidas e das cousas:
    Todos os elementos que te apóiam,
    Do Mundo Conhecido ao Mais Além,
    Guardam consigo apenas,
    A fim de que o progresso sobrenade,
    Aquilo que lhes dê continuidade
    No trabalho do bem.

    O astro do dia, a refulgir no tempo,
    Quanta vez terá visto sobre a Terra,
    Povos e gerações, servos e reis,
    Templos e tribunais, ordens e leis,
    Nas florações da paz ou nas cinzas da guerra!...
    Observa, porém, que o Sol não fala disso
    E, ainda hoje e sempre, a resguardar-nos,
    Permanece em serviço.

    O chão silencioso não confessa
    Quanta vez engoliu detritos agressores,
    Sabemos tão-somente que responde,
    Onde o lixo, às ocultas, se lhe esconde
    Com braçadas de flores.

    Fertilizando a vida,
    A fonte deixa o lodo e tudo olvida,
    Para ser água, enfim, clara e singela;
    A argila sofre o fogo que a transforma,
    Tudo esquece, ganhando nova forma,
    Em porcelana rendilhada e bela!...

    Assim também, alma querida e boa,
    Não reclames, perdoa,
    E nem exijas, ama!
    Se aspiras a encontrar as Alturas do Bem,
    No anseio por mais luz que te mantém,
    Auxilia e constrói algo mais que o dever,
    Porquanto, o lema da felicidade,
    Sem que a dor nos deprima ou a queda nos degrade,
    Será sempre servir, trabalhar e esquecer.


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