As Loucuras que o Espiritismo Produz

“Certamente a palavra da cruz é loucura para aqueles que se perdem”
Paulo (1 Cor, 1:18)

Em certa reunião de estudos em nossa casa espírita, nos deparamos com a leitura de determinada página ditada pelo espírito Emmanuel, contida na obra “Fonte Viva”, cap. 95, na qual o mentor diz: “O aprendiz da vida cristã (...) por ver com mais clareza, as instruções reveladas pelo Mestre, é tido à conta de fanático ou retrógrado, idiota ou louco”.
O debate centrou-se no ponto sobre o quanto a compreensão e aplicação correta das lições de Jesus, iluminadas pela Doutrina Espírita, modificam nossa conduta diante das pessoas e do mundo: alteram substancialmente nossos valores, ou seja, coisas que antes apreciávamos tanto, hoje perdem todo o sentido, não atraem mais a nossa atenção. Todos aqueles que lêem estas linhas estão pensando em quantos exemplos poderiam ser citados a partir de suas próprias experiências.
Para as pessoas que nos rodeiam quando percebem que os espíritas (ou mesmo aqueles que entenderam a mensagem cristã, ou mesmo ainda irmãos nossos de outras religiões) adotam mudanças em suas atitudes, são tachados como verdadeiros “loucos”, tolos ou insensatos. Quando não afirmam que o próprio Espiritismo leva seus adeptos e simpatizantes à loucura. Em nosso mundo moderno, quando muitos ainda estão extremamente apegados a valores materialistas-consumistas, tal atitude é digna de escândalo pois distoa desses valores vigentes.
Mas, o próprio Jesus, já em sua época, alertava para este tipo de comportamento. Em Lucas, 12: 13-15, um homem no meio da multidão lhe fala: “Mestre, ordena a meu irmão que reparta a herança”. Ao que Jesus, responde: “Quem me constituiu juiz da vossa partilha ?” E ensina: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui”. E ante aqueles muitos que só se preocupam em guardar e guardar para muito possuir, com vistas a uma vida segura e tranqüila, segundo seus “valores”, Jesus alerta: “Louco, esta noite pedirão a tua alma; e as coisas que acumulastes, de quem serão?” (Lc, 12:20). Ainda é Jesus quem orienta: “Buscai o reino dos céus em primeiro lugar e todas as outras coisas lhe serão dadas por acréscimo” (Mt, 6:33).
Mas, passada a fase da “loucura” vem a fase do “reconhecimento” quando se podem ouvir comentários do seguinte tipo: “Poxa, fulano depois que entrou para o Espiritismo ficou mais paciente; está mais sorridente e generoso; ouve mais do que fala; não diz mais palavrões; tem sempre uma palavra de consolo; não reclama ou fala mal da vida alheia como antigamente; cumprimenta todos os vizinhos, colegas de trabalho, o trocador e até o motorista de ônibus; dirige com mais cautela; etc, etc, etc”.
São mudanças comportamentais nitidamente notadas e que estão de acordo com o que podemos ler na obra “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. 17, item 4: “Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um é o mesmo que o outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam”.
Vivemos em uma época que continua praticando grande inversão de valores: o que é certo é dado como errado e vice e versa. Mas o apóstolo Paulo, em várias passagens, desde seu tempo, já assinalava para nossa orientação e convicção: “Porventura não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. A loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Cor, 1: 20-25 e 3:19).
E ao final do nosso estudo a questão central foi esta: quem são os verdadeiros loucos??


João Luiz Romão - O Clarim