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Nas grandes calamidades, a caridade se manifesta, mas ao lado desses desastres, há milhares que passam desapercebido. São esses infortúnios ocultos que a verdadeira generosidade sabe ir descobrir, sem esperar que eles venham pedir assistência. 
Quem é essa mulher de ar distinto, vestida de maneira simples mas cuidada, seguida de uma jovem vestida também modestamente? Entra numa casa de sórdida aparência, onde é conhecida, sem dúvida, porque à porta, a saúdam com respeito. Onde ela vai? Sobe até a mansarda: lá mora uma mãe de família cercada de filhos pequenos; à sua chegada, a alegria brilha nos seus semblantes emagrecidos; é que ela veio acalmar todas essas dores; traz o necessário, temperado com doces e palavras dor'>consoladoras. ..De lá, ela se dirige ao hospital, para levar algum consolo ao pai e tranqüiliza-lo sobre a sorte da família...a nenhum dos que assiste, pergunta a crença, nem opinião, porque para ela, todos são irmãos e filhos de Deus. 
Porque ela se veste de maneira bem simples? É que não quer insultar a miséria com seu luxo! Porque se faz acompanhar da filha adolescente? É para ensinar-lhe como deve praticar a beneficência. A filha também quer fazer a caridade, mas sua mãe lhe diz: “que podes dar minha filha, uma vez que nada tens de ti? Se eu te entregar alguma coisa para passa-la aos outros, que mérito terás? Em realidade, eu é que farei a caridade, e tu que dela terás o mérito; isso não é justo. Quando vamos visitar os enfermos, tu me ajudas a cuidar deles; ora, dar cuidados é dar alguma coisa. Isso não parece bastante? Nada é mais simples, aprende a fazer obras úteis e tu confeccionarás roupinhas para essas criancinhas; deste modo, darás alguma coisa vinda de ti”. É espírita? Que importa!
No seu lar, é a mulher do mundo, porque a sua posição o exige, mas ignora-se o ela faz, porque não quer outra aprovação senão a de Deus e da sua consciência.


Por: Allan Kardec, Caso tenha ou possua, envie-nos a referência desse texto.


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